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Ideologia de Género [Sexo]

A Ideologia de Género [SEXO] desintegra a família para parir um ser solitário e sem raízes: o consumidor e súbdito perfeito.

Ideologia de Género [Sexo]

A Ideologia de Género [SEXO] desintegra a família para parir um ser solitário e sem raízes: o consumidor e súbdito perfeito.

19.Jul.19

FEMINISMO RADICAL

Existe um abismo profundo entre a percepção pública do feminismo e a realidade da teoria feminista. Eu defrontei-me pessoalmente com este abismo quando, há alguns anos, comecei a pesquisar o feminismo. Li todas as autoras feministas bem publicadas, mas o que elas diziam não fazia sentido. Faltava uma peça. Decidi então compartilhar o meu problema com uma amiga, professora de literatura russa na Universidade de Rhode Island. Ela simplesmente se riu e disse-me: “Dale, elas são todas marxistas. Toda a história é a história da luta de classes [...] o opressor contra o oprimido”.

Isto tinha estado bem ali, mas eu não havia visto. Olhando para trás, através dos textos feministas, eu estava espantada com a quantidade dos que citavam Marx e o seu confidente Frederick Engels e, em especial, o livro de Engels, “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”. Eu não havia entendido o quanto isto pudesse ser significativo, mesmo quando lia Kate Millett elogiava as teorias de Engels na sua “Política Sexual”:

 

“O grande valor da contribuição de Engels para a revolução sexual reside na sua análise do casamento patriarcal e da família. Na submissão do feminino ao masculino, Engels, assim como também Marx, compreenderam o protótipo histórico e conceitual de todos os subsequentes sistemas de poder, de todas as relações económicas opressoras e o próprio facto da opressão em si mesmo”.

 

Até então eu tinha considerado o Marxismo como uma teoria económica já morta. Mas a minha limitada exposição a Marx não havia incluído a sua teoria social.

Saber que as feministas seguiam Marx, com certas revisões, é claro, ainda não explicava a Agenda de Género. Felizmente, uma boa amiga e activista pró-família, Michael Schwartz, sugeriu-me que, se eu quisesse entender as feministas, deveria ler o livro de Engels, “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”, e o livro de Shulamith Firestone, “A Dialética do Sexo”. Nestes livros pude entender como a dialética de Marx se havia convertido na dialética do sexo. À medida que eu lia Engels e Firestone, entendia como a letra casava com a música.

A Agenda de Género tentou construir-se sobre a boa vontade gerada para com o feminismo nos anos 60, quando o movimento das mulheres promoveu um “feminismo liberal” ou, nas palavras de Christina Hoff Sommers, um “feminismo de equidade”. O feminismo liberal sustenta que as mulheres devem ter, na sociedade, tanta liberdade quanto os homens e insiste que o indivíduo deveria ser considerado separadamente do grupo. O apoio ao feminismo liberal era tão amplo que quase toda a legislação que exigia colocar fora da lei a discriminação sexual foi aprovada sem nenhuma oposição séria.

Bem ao contrário das acusações da esquerda feminista, ninguém deseja retroceder nestas conquistas. Não há nenhum retrocesso contra o direito das mulheres ao voto, ao exercício da profissão, à igual educação, ou à igual oportunidade no emprego. Os que promovem a família, entretanto, reconhecem as limitações do feminismo liberal, particularmente a sua incapacidade de considerar as diferenças reais e óbvias entre os homens e as mulheres, e de reconhecer que muitas das leis “discriminatórias” entre os homens e as mulheres não são tentativas de oprimir as mulheres, mas tentativas de compensar as diferenças naturais e proteger as mulheres. Quando estas leis são revogadas, as mulheres frequentemente sofrem como resultado do assim chamado tratamento igualitário. O feminismo liberal, com a sua ênfase no individual, ignora a importância da família como unidade social.

Os que promovem a família acreditam que é possível estar plenamente comprometido com a igual dignidade dos direitos dos homens e das mulheres, sem negar as diferenças entre os sexos, a importância da família e recorrer ao gigantismo governamental. A influência do feminismo liberal declinou em parte porque alcançou seus objectivos, em parte porque suas limitações se tornaram evidentes, mas primariamente porque foi suplantado por um feminismo radical que sustentou que o liberal não havia ido suficientemente longe.

O assim chamado retrocesso contra o feminismo não é dirigido contra o feminismo liberal dos anos sessenta, mas sim contra as novas correntes do feminismo, que repudiaram os valores liberais em troca de uma ideologia revolucionária. As feministas radicais repudiaram o feminismo liberal porque este não havia reconhecido “que é necessário mudar toda a estrutura social existente para alcançar a libertação da mulher”. Este repúdio ao feminismo liberal aconteceu no fim dos anos sessenta.

As mulheres que se uniram aos movimentos revolucionários haviam sido expostas às ideologias revolucionárias. A batalha contra a opressão não havia sido muito libertadora para estas mulheres. Os seus irmãos revolucionários tratavam mal as mulheres. Relegavam-nas a cozinhar, a escrever à máquina e a realizar serviços sexuais, ao mesmo tempo em que recusavam permitir-lhes expressar as suas opiniões ou exercer uma liderança dentro do movimento. As mulheres radicais rebelaram-se contra este tratamento equivocado e, ao fazê-lo, buscaram a sua justificativa na própria ideologia revolucionária.

Elas encontraram exatamente o que precisavam na filosofia de Karl Marx e Frederick Engels, particularmente no livro de Engels, “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”. Pode-se imaginar o seu espanto quando descobriram que Marx e Engels haviam ensinado que as mulheres haviam sido a primeira propriedade privada e que a opressão das mulheres pelos homens havia sido a primeira opressão de classes. Estas são palavras de Engels:

“Num antigo manuscrito não publicado escrito por Marx e por mim mesmo, em 1846, eu encontrei estas palavras:

‘A primeira divisão do trabalho é aquela entre o homem e a mulher para a propagação da prole’.

E hoje eu posso acrescentar:

‘A primeira luta de classes que aparece na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher no casamento monogâmico, e a primeira opressão de classe coincide com a submissão do sexo feminino pelo masculino”.

A proclamação de Marx e Engels de que toda a história é a história da luta de classes é bem conhecida. O que é menos conhecido é a sua alegação de que a primeira luta de classes aconteceu na família. De acordo com a teoria marxista, nas épocas primitivas da existência humana, as pessoas viviam pacificamente em sociedades sem classes onde a propriedade privada era desconhecida e a opressão inexistente. A família era uma instituição inexistente e os homens ainda não haviam entendido a interligação existente entre o acto sexual e o nascimento de uma criança. Tudo isto teria sido mudado pelo que equivale à versão marxista do pecado original: os homens descobriram ou insistiram no reconhecimento da sua paternidade, escravizaram as mulheres no casamento, criaram a família patriarcal e estabeleceram a propriedade privada. A luta de classes e a opressão seguiram-se.

Marx e Engels sustentam que, para alcançar a libertação da perpétua luta de classes, os meios de produção e de reprodução devem ser removidos das mãos dos opressores e devolvidos aos trabalhadores. Isto exigiria não apenas a abolição da propriedade privada mas, também, a destruição da família encabeçada por um pai; que todas as mulheres fossem forçadas a trabalhar fora de casa; creches gratuitas e a colectivização das tarefas domésticas; divórcio fácil, liberalização sexual e a aceitação da ilegitimidade; e, finalmente, a destruição da religião, porque a religião apoia a família.

A primeira condição para a libertação da mulher seria trazer todo o sexo feminino de volta para a indústria pública, e que isto, por sua vez, exigisse a abolição da família monogâmica como unidade económica da sociedade. Com a transferência dos meios de produção para a propriedade colectiva, a família individual cessaria de ser a unidade económica da sociedade. O cuidado e a educação das crianças passaria a ser uma questão pública e a sociedade se interessaria de modo igual por todas as crianças, fossem elas legítimas ou não.

Depois da Revolução Russa os comunistas tentaram inicialmente algumas destas políticas, mas detiveram-se quando perceberam o desastre causado por um ataque frontal contra a família. O sistema comunista, em vez disso, focou-se na socialização da indústria e no controle do aparato político.

As mulheres radicais dos anos sessenta, no entanto, convenceram-se que as revoluções marxistas anteriores haviam falhado exactamente porque não haviam conseguido atingir a família. Se a análise marxista estava correcta, a família era a causa da opressão e devia ser eliminada. Engels havia escrito:

“A família individual moderna está fundamentada na escravidão aberta ou oculta da mulher”.

Ele dizia que a mulher casada

“difere da cortesã ordinária porque a cortesã vende o seu corpo em parte, como um trabalhador assalariado, mas a casada o vende de uma só vez, para sempre, como um escravo”.

Mais tarde, no seu livro “A Dialética do Sexo”, Shulamith Firestone mostrou como o Marxismo poderia ser transformado em feminismo radical:

“Portanto, assim como para garantir a eliminação das classes económicas se exige a revolta da classe inferior (o proletariado) e a tomada dos meios de produção, assim também, para garantir a eliminação das classes sexuais, exige-se a revolta da classe inferior (as mulheres) e a tomada do controle da reprodução. Isto é, exige-se a restituição, para a mulher, da propriedade dos seus próprios corpos e o controle feminino da sexualidade humana. E assim como o objectivo final da revolução socialista não era apenas a eliminação do privilégio da classe económica, mas a própria distinção da classe económica, assim também o objectivo final da revolução feminina deve ser, diversamente do objectivo do primeiro movimento feminista, não apenas a eliminação do privilégio masculino, mas da própria distinção sexual”.

Aqui está o fundamento do feminismo radical e o coração da Agenda de Género: a eliminação da distinção sexual e o controle da reprodução. As feministas radicais concordam com os marxistas que o objectivo é uma sociedade sem classes, mas a revolução feminista radical quer abolir também as classes sexuais.

Deve-se notar que existem diversas subdivisões das feministas de esquerda. As ‘feministas marxistas’ acreditam que a revolução marxista deva preceder a revolução feminista. As ‘feministas socialistas’ acreditam que as revoluções marxistas e feministas devam dar-se simultaneamente, e as ‘feministas radicais’ acreditam que a revolução feminista deva vir primeiro.

O primeiro objectivo da revolução deveria ser a libertação da mulher da escravidão da maternidade. Shulamith Firestone argumenta que se as mulheres simplesmente se recusassem a ter filhos, os homens teriam que inventar uma solução tecnológica:

 

“A reprodução das espécies por um sexo em benefício de ambos seria substituída (pelo menos pela opção da) reprodução artificial; os filhos nasceriam igualmente para ambos os sexos, ou independentemente de que alguém se preocupasse com eles”.

 

As feministas radicais mais moderadas, se isto não for um paradoxo, trocam a revolução biotecnológica pela exigência de um absoluto “controlo reprodutivo” feminino, que incluiria o aborto a pedido durante toda a gravidez e o livre e fácil acesso a todas as formas de contracepção e tecnologias reprodutivas.

Firestone sempre reconheceu que estava a atacar a “realidade biológica”:

 

“Diversamente das classes económicas, as classes sexuais têm a sua origem directamente numa realidade biológica: os homens e as mulheres são criados distintos, e não igualmente privilegiados. As diferenças reprodutivas naturais entre os sexos conduziu directamente à primeira divisão do trabalho, com base no sexo, e esta está na origem de todas as divisões posteriores em classes económicas e culturais”.

 

Para ela, entretanto, isto não constitui um problema. Se a “natureza” impede a revolução, ela simplesmente ignora a “natureza”:

“A natureza não é necessariamente um valor humano. A humanidade já começou a superar a natureza; não podemos mais justificar a manutenção de um sistema discriminatório de classes sexuais fundamentadas na sua origem natural”.

Firestone exige também uma liberdade sexual absoluta. A família, segundo ela, está baseada na restrição da sexualidade aos parceiros casados. Portanto, a eliminação da família será acompanhada da libertação da sexualidade de quaisquer restrições em relação ao número, sexo, idade, relacionamento biológico ou estado marital dos participantes. Ela exige uma “reversão a uma pan-sexualidade desobstruída".

Para entender a relação entre feminismo e lesbianismo, é necessário entender que há três teorias sobre a origem da orientação homossexual e lésbica: a inata, a polimórfica e a traumática.

Segundo a teoria inata, as pessoas nascem homossexuais ou heterossexuais, e não há nada que possa ser feito sobre isto. A homossexualidade é, portanto, natural e igual à heterossexualidade.

Segundo a teoria polimórfica, os seres humanos nascem sem nenhuma orientação sexual e são capazes de ser atraídos por ambos os sexos. O sexo de cada parceiro é irrelevante. As pessoas que sustentam este ponto de vista acreditam que as categorias da homossexualidade, heterossexualidade e bissexualidade deveriam ser abandonadas, de tal maneira que os seres humanos possam reverter a uma “sexualidade natural polimorficamente pervertida”.

Segundo a teoria traumática, a homossexualidade e o lesbianismo são causados por traumas psicológicos durante a infância, pela rejeição do pai do mesmo sexo, por abusos sexuais ou por uma combinação de factores. A orientação homossexual e lésbica é vista como semelhante à dependência às drogas ou ao alcoolismo.

Quando promovem os direitos gays, as feministas tendem a argumentar que o lesbianismo é inato. Mas quando estão apenas entre elas, acreditam que, embora a perversidade polimórfica seja o objectivo final, a situação actual exige que as mulheres adoptem o lesbianismo como “meio de combater a ideologia heterossexual que perpetua a supremacia machista”.

Tem havido muito debate sobre a influência das lésbicas no movimento feminista. Há quem sustente que elas dominam o movimento. Discute-se também se as lésbicas são naturalmente atraídas para o activismo feminista, ou se as mulheres envolvidas no feminismo são recrutadas para serem experimentadas na sexualidade lésbica. Em todo caso, o movimento feminista está fortemente comprometido com os direitos lésbicos, e a teoria feminista é utilizada para defender o lesbianismo.

Firestone também defende a total libertação das crianças e a virtual abolição da infância:

“Devemos incluir a opressão das crianças em qualquer programa feminista revolucionário [...] Nossa etapa final deve ser a eliminação das próprias condições da feminilidade e da infância. O tabu do incesto hoje é necessário somente para preservar a família; então, se nós nos desfizermos da família, iremos de facto desfazer-nos das repressões que moldam a sexualidade em formas específicas”.

 

Firestone não acredita que haja algo errado com o incesto e as relações sexuais com menores:

“Os tabus sexuais com as relações homossexuais ou entre adultos e menores irão desaparecer, assim como as amizades não sexuais [...] todas as relações próximas irão incluir o físico”.

A autora acredita ainda que a libertação sexual absoluta é a chave para a libertação política e económica:

“Se a repressão sexual precoce é o mecanismo base pelo qual são produzidas as estruturas de carácter que sustentam a escravidão política, ideológica e económica, o fim do tabu do incesto, através da abolição da família, poderá ter efeitos profundos. A sexualidade poderá ser libertada da sua camisa de força para erotizar toda a nossa cultura, modificando a sua própria definição”.

Firestone, de facto, acredita que, uma vez que o tabu do incesto tenha sido eliminado, não haverá nada de errado em uma criança ter relações sexuais com a sua própria mãe genética.

As ideias de Firestone são tão extremas que é fácil entender por que as feministas, muitas das quais são profundamente influenciadas por suas teorias, são tão cuidadosas em não a colocar como porta-voz do seu movimento. Elas simplesmente reconheceram que Firestone deve ser embalada num pacote de aparência mais aceitável.

 

A AGENDA DE GÉNERO

Redefinindo a Igualdade, Condensado da obra de Dale O’Leary “The Gender Agenda” 1997, Vital Issues Press, Lafayette, Lousiana

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