FEMINISMO E GÉNERO
Sem alarde ou debate, a palavra ‘sexo’ foi substituída pela palavra ‘género’.
Nós costumávamos falar de ‘discriminação de sexo’, mas agora é ‘discriminação de género’. Com certeza parece bastante inocente. ‘Sexo’ possui um significado secundário, subentendendo relação sexual ou actividade sexual. ‘Género’ parece mais delicado e refinado. As militantes feministas aprenderam a partir das suas derrotas. Quando não puderam vender a sua ideologia radical às mulheres em geral, elas deram-lhe uma nova roupagem. Agora, são bastante cuidadosas em revelar os seus verdadeiros objectivos. Elas pretendem alcançar os seus fins não por uma confrontação directa, mas através de uma mudança no significado das palavras.
Eu teria querido unir-me a elas na batalha pela eliminação dos verdadeiros abusos, com o objectivo de tornar a vida melhor para as mulheres, mas a ideia das militantes feministas de uma mudança positiva consistia em deitar abaixo a família, promover a libertinagem sexual e defender o aborto à la carte. Não se pode permitir às feministas dissolver todas as famílias e destruir todos os casamentos apenas porque elas têm medo do casamento e da maternidade.
Vim a descobrir, mais tarde, que há muito mais de errado com o feminismo do que eu havia imaginado. Conforme pude comprovar posteriormente, a música ficava mais alta e mais clara, e finalmente descobri qual era a canção que cantavam.
O que aconteceu nas Conferências da ONU sobre População, realizada do Cairo, em 1994, e sobre as Mulheres, realizada em Pequim, em 1995, é muito importante. Não tanto porque a ONU possa forçar a sua vontade sobre os Estados Unidos, já que somente os países pobres, que dependem da ajuda externa, serão forçados a aceitar as agendas promulgadas nestas conferências. É muito importante porque a guerra cultural é uma batalha de ideias, e a ONU possui os recursos e o prestígio para promover a sua agenda junto aos líderes mundiais, às crianças em idade escolar e aos meios de comunicação.
A Plataforma de Acção da Conferência de Pequim sobre as Mulheres chamou os governos a “incorporar [mainstream] a perspectiva de género” em todo programa e em toda a política, em cada instituição pública e privada. A administração Clinton, o governo do Canadá, a União Europeia e uma multidão de agências da ONU estão ocupadíssimas “incorporando a perspectiva de género”, mas houve pouquíssima discussão nos meios de comunicação sobre o que exactamente estaria incluído numa “perspectiva de género”. Se uma “perspectiva de género” deve ser “incorporada” em todo programa público e privado do mundo, a prudência exigiria que, pelo menos, o público fosse informado sobre a natureza desta agenda. Em vez disso, a implementação prossegue sem esclarecimento público. A Agenda de Género navega nas comunidades não como um navio elevado, mas como um submarino, determinado em revelar-se tão pouco quanto possível.
Segundo um folheto publicado pelo Instituto Internacional de Pesquisa e Treinamento para o Avanço das Mulheres da ONU [United Nations International Research and Training Institute for the Advancement of Women (INSTRAW)], “adoptar uma perspectiva de género exige [...] distinguir entre o que é natural e biológico e o que é social e culturalmente construído, e o processo de renegociar as fronteiras entre o natural, que é relativamente inflexível, e o social, que é relativamente transformável’” [“Gender Concepts in Development Planning: Basic Approach” (INSTRAW, 1995), p. 11]. Noutras palavras, isto significa que as diferenças evidentes entre os homens e as mulheres não são naturais, mas foram construídas, e podem e devem ser modificadas.
Qual é a relação entre a “perspectiva de género” e o facto de que os seus proponentes possuem uma extrema aversão a palavras como mãe, pai, marido e esposa?
Porque é que os defensores da Agenda de Género se referem ao casamento e à família em termos negativos?
Porque é que um documento da ONU sobre as mulheres não tem quase nada de positivo a dizer sobre as mulheres que são mães a tempo inteiro?
Porque é que a ONU não promove mais a “perspectiva da mulher”?
As forças por trás da Quarta Conferência Mundial sobre as Mulheres da ONU acreditam que a sua “perspectiva de género” é uma verdade auto
A AGENDA DE GÉNERO
Redefinindo a Igualdade
Condensado da obra de Dale O’Leary
“The Gender Agenda”
1997, Vital Issues Press,
Lafayette, Lousiana
evidente. Elas já estavam ocupadas, mesmo antes da Conferência de Pequim, no encaminhamento dos seus planos de “incorporar a perspectiva de género” em todas as escolas, em todas as empresas, em toda a família, em todo o programa público e privado, em todos os níveis e em todos os países.
Os líderes da coalizão dos grupos que promovem a Agenda de Género auto denominam-se feministas, mas a promoção da Agenda de Género procede de grupos activistas, todos de alguma maneira com interesses inter-relacionados ou elevados, mas claramente distintos:
(1) os controladores populacionais;
(2) os libertadores sexuais;
(3) os activistas dos direitos gays;
(4) os multi-culturalistas e promotores do politicamente correcto
(5) os extremistas ambientais;
(6) os neo-marxistas progressistas;
(7) os pós-modernistas desconstrutivistas.
O termo “feministas de género” parece muito apropriado para uma coalizão [Acordo ou aliança de partidos para um fim determinado] de grupos de interesse em promover a Agenda de Género, já que eles assumiram como objectivo "incorporar a perspectiva de género" em todo o programa e política no sector público e privado. Às vezes poderá parecer mais exacto falar do “Estabelecimento de Género [Gender Establishment]”, já que a promoção da perspectiva de género não está a ser realizada por meio de activistas com base no povo ou nas mulheres em geral, mas por pessoas que se estabeleceram a si mesmas nos vários centros de poder e estão a usar as suas influências para fazer avançar esta agenda.
Infelizmente, a ONU tornou-se cativa de perigosos ideólogos que usam o poder e a influência da organização para promover os seus perigosos esquemas. A ONU não deveria buscar tornar-se um governo internacional ou, pior ainda, uma burocracia internacional, mas um lugar de encontro para nações soberanas, onde as vozes dos pequenos, dos pobres e dos sem poder possam ser ouvidas.
Fonte: A AGENDA DE GÉNERO
Redefinindo a Igualdade, Condensado da obra de Dale O’Leary “The Gender Agenda” 1997, Vital Issues Press, Lafayette, Lousiana
