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Ideologia de SEXO

A Ideologia de Género [SEXO] desintegra a família para parir um ser solitário e sem raízes: o consumidor e súbdito perfeito.

Ideologia de SEXO

A Ideologia de Género [SEXO] desintegra a família para parir um ser solitário e sem raízes: o consumidor e súbdito perfeito.

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V. A FÉ CRISTÃ E A IDEOLOGIA DE GÉNERO

Como ficou sugerido no artigo anterior desta série, a cosmovisão judaico-cristã é, por causa dos valores que lhe estão na base, o pior inimigo do neo-marxismo pós-moderno que constitui a base filosófica da Ideologia de género, e também, por inerência, da própria Ideologia de género.

O que tem então a cosmovisão cristã a dizer sobre este tema? Muito, de facto.

Vamos ver alguns dos valores cristãos que minam pela base a Ideologia de género.

a) Verdade

Examinemos uma das afirmações centrais de Jesus Cristo:

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” — João 14:6

Esta afirmação de Jesus expõe uma verdade absoluta que entra em colisão frontal com o pós-modernismo. Na cosmovisão judaico-cristã, a verdade não é uma construção, mas uma pessoa — a própria natureza de uma pessoa: Jesus Cristo.

Por isso, qualquer coisa que se queira afirmar como verdade, deve ser por referência a Jesus, que é a Verdade.

Ora no pós-modernismo, a existência efetiva de um referencial objetivo de verdade faz ruir toda a filosofia — daí que o cristianismo se constitui como alvo a abater.

Reparemos que apenas uma frase da Bíblia, a ser verdade, destrói toda a filosofia pós-modernista.

A verdade é um valor cristão, por alguém que declarou ser também caminho —e não apenas caminho, mas oCaminho para Deus— e vida — e não apenas vida, mas a Vida.

Jesus apresenta-se como aquele de quem flui não apenas a vida física, não apenas a vida interior, mas a Vida no seu sentido mais pleno e transcendente, aquilo que a Bíblia chama “a vida eterna”. É uma afirmação absolutamente radical, da qual o pós modernismo discorda no nível mais fundamental possível.

Ora, o que esta declaração radical faz ao pós-modernismo, faz à ideologia de género: mina a sua filosofia na base e provoca a sua implosão.

b) Unidade

Este homem, que declara não apenas dizer a verdade, mas ser a verdade, diz o seguinte com toda a objetividade:

Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, 8 E serão os dois uma só carne: e assim já não serão dois, mas uma só carne. 9 Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. — Marcos 10:6–9

É importante frisar que o objetivo aqui não é provar que Jesus era realmente a Verdade, apenas expor a fé cristã pelo que ela é. Mas já vimos pelas evidências científicas que examinamos que é inegável que há diferenças objetivas entre os sexos, e por isso podemos dizer que pelo menos nisto, Jesus tinha razão: há humanos macho e humanos fêmea.

A questão do destino desses sexos, nesta passagem da Bíblia derruba a outra filosofia que está na base da ideologia de género, o marxismo. Porquê?

Porque em vez de dividir os sexos entre oprimidos e opressores como faz o marxismo cultural que dá origem à ideologia de género, Jesus os une num só na santidade de uma união transcendente, o matrimónio.

Homem e mulher não estão destinados a ser opressor e oprimida, mas uma só carne unida por Deus no casamento.

Contudo, não confundamos as coisas: ser um só não significa que um sexo se funde com o outro num todo indistinto; significa que, sendo quem são, macho e fêmea, sem perder a sua individualidade, unem-se em amor para serem um só diante de Deus.

A ideologia de género, com a sua polarização dos sexos entre opressores e oprimidos, trabalha precisamente no sentido contrário, promovendo uma divisão e um abismo permanente entre os sexos, à boa maneira marxista (ao mesmo tempo que o pós modernismo retira a base objetiva dos sexos e os dilui em nada).

E a prova de que no cristianismo os sexos, apesar de se tornarem um só, não perdem a sua individualidade, é os diferentes papéis que vemos serem atribuídos ao homem e à mulher.

De facto não seria honesto não falar do escândalo que representa para a ideologia de género não apenas a realidade da distinção biológica entre os sexos, não apenas o destino de união transcendente entre os sexos promovida por Deus, mas também a complementaridade e diferentes papéis entre os sexos, com destaque para o papel de liderança do homem.

b) Complementaridade dos sexos

Na carta do Apóstolo Paulo aos Efésios lemos:

Vós, mulheres, sujeitai-vos aos vossos maridos, como ao Senhor; Porque o marido é a cabeça da mulher, como, também, Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim, também, as mulheres sejam, em tudo, sujeitas aos seus maridos. Vós, maridos, amai as vossas mulheres, como, também, Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela. - Efésios 5:22–25

Vemos aqui o homem como chamado para liderar, mas para liderar em amor, como cabeça da família.

Não está aqui presente a ideia do homem como ditador e opressor, mas como aquele que assume a responsabilidade, que dá o corpo ao manifesto pela família, que se entrega pela mulher como Cristo se entregou pela igreja.

Um retrato de cada um dos sexos como objetivamente distintos, cada um com papéis diferentes, tal como Cristo e a igreja têm papéis diferentes. Uma abominação para os ativistas de género, e para a cultura ocidental em geral, com o seu neo-marxismo pós modernista — e portanto pós cristão.

Vimos a perspetiva de Jesus Cristo, enumerámos alguns dos valores que lhe estão subjacentes, e vimos como esta perspetiva e estes valores chocam de uma forma tão violenta com a ideologia de género.

E agora, como devemos nós, seguidores de Jesus, agir perante esta inegável ameaça para tudo a herança judaico-crista produziu no ocidente? Como nos envolvermos enquanto seguidores de Jesus nesta batalha cultural entre o neo-marxismo pós-moderno e a civilização cristã?

VI. OS CRISTÃOS E A IDEOLOGIA DE GÉNERO

É preciso dizer que a nossa cultura, mesmo quando se dizia cristã, e antes de ser classificada como “pós-cristã”, como é hoje, deixava muito a desejar no seu suposto cristianismo

Aliás, creio que podemos dizer com segurança que não existe nem nunca existiu uma cultura verdadeiramente cristã que fosse partilhada pelo Ocidente, como normalmente se pensa.

No entanto, desde que o império romano iniciou o processo de adotar a religião cristã como religião oficial do império no século IV d.C., passou a haver de facto uma partilha de valores de fundo que, embora muitas vezes distorcidos, saíram das Escrituras e dos ensinamentos de Cristo (como o valor inalienável da vida humana, o dever de cuidar dos doentes, dos pobres e dos excluídos, e sim, o valor da instituição do matrimónio).

Esses valores estão atualmente a ser preteridos, principalmente em favor do valor da felicidade individual, que se tornou supremo. Expressões disto são o aborto — abdicar do valor da vida em favor do bem estar individual — a eutanásia — abdicar de cuidar dos doentes em favor da conveniência de uma morte rápida — e toda a revolução sexual a que temos assistido desde os anos 60 — abdicar do valor da santidade do matrimónio e da família em favor do prazer individual.

Como reagir então a estas mudanças que ameaçam os nossos valores e até, como no caso da ideologia de género, as mentes dos nossos filhos? Muitos cristãos reagem de uma das formas menos cristãs possíveis: com medo.

a) A abordagem (não) cristã: o medo

Sobre o medo a Bíblia diz:

No amor não há medo antes o perfeito amor lança fora o medo; porque o medo envolve castigo; e quem tem medo não está aperfeiçoado no amor.
1 João 4:18

O medo referido pelo Apóstolo João no contexto desta passagem é o medo de Deus, um medo de um Deus essencialmente punitivo, ameaçador e implacável. Um medo que ignora o amor de Deus que ele provou em Cristo, ao enviar o seu próprio filho para morrer pelos pecadores.

A essência da mensagem cristã é precisamente que Jesus veio ao mundo voluntariamente, enviado por Deus, tomando o castigo que cabia, de forma justa, aos seres humanos, por causa da sua inclinação de querer usurpar o lugar de Deus e ocupar o centro do universo — um peso que claramente o homem não tem a natureza nem a estrutura para poder suportar, embora o deseje com todas as suas forças.

Jesus vem assim oferecer, pelo seu sacrifício, o perdão e a reconciliação entre Deus e o homem (Romanos 5:6–9)

O medo é então um sentimento antagónico à fé cristã, que é baseada no amor de Deus — aliás, o mesmo João diz na mesma carta que “Deus é amor” — e qual planta venenosa, ramifica-se em atitudes e comportamentos tóxicos, espalhando à volta sementes daninhas que vão sufocando cada vez mais a fé genuína.

O medo significa falta de amor, e quando se é movido pelo medo e não se é “aperfeiçoado no amor”, não se consegue amar Deus nem as pessoas, principalmente aquelas que nos fazem sentir ameaçados.

Somos chamados para amar as pessoas que se identificam como transgéneros e também somos chamados para amar os ativistas da ideologia de género — sentirmo-nos ameaçados por essas pessoas e ter medo delas ao invés de as abordar com graça e verdade equivale a não ser aperfeiçoado no amor, e não é uma atitude cristã.

É claro que, e sendo este um tema com ramificações políticas evidentes, a questão da militância política vem naturalmente para os cidadãos cristãos. E não há nada de fundamentalmente errado com cristãos terem ação política; o problema é os cristãos se deixarem absorver pela ideologia política que luta pelas causas que querem apoiar, e no processo negociarem a sua fé, comprando valores que são tudo menos valores do Evangelho.

b) Os perigos da militância política

Para lutar contra aquilo que sentem que os ameaça, muitas vezes os cristãos aliam-se sem condições a pessoas do outro lado da barricada, tornando-se indistinguíveis delas.

Isso aconteceu recentemente no Brasil, na luta entre Bolsonaro e a esquerda (onde denominações inteiras se colaram não apenas aos valores, mas aos partidos e “pacotes” ideológicos); aconteceu também nos EUA, na luta entre Donald Trump e Hillary Clinton (sendo que a direita americana já é, para a maior parte das pessoas, indistinguível do evangelicanismo); e acontece sempre que os cristãos sucumbem ao medo e perdem a capacidade de amar.

Não estamos a fazer juízos relativamente às personalidades políticas referidas, e o propósito deste artigo não é entrar na discussão sobre o caráter destas pessoas e muito menos pôr em causa o julgamento de quem a eles confiou o seu apoio político em nome individual.

Porque das duas, uma: ou se exerce o direito de voto apoiando pessoas com falhas morais, ou então não se exercerá esse direito — não teremos nunca candidatos perfeitos. Duma perspetiva pessoal, parece-me que os candidatos menos imperfeitos, o “mal menor”, são sem dúvida aqueles que defendem valores básicos, como a santidade da vida humana, a proteção da família nuclear, e as liberdades essenciais, como a liberdade religiosa e de pensamento. A direita tem hasteado de facto estas bandeiras.

Isto sem prejuízo de haver valores também profundamente cristãos que têm sido nos últimos tempos sido tradicionalmente defendidos pela esquerda e negligenciados pela direita, como o cuidado com os pobres, a justiça laboral, a garantia de serviços mínimos de forma universal.

No entanto, considerando tudo e aludindo ao tema deste artigo, a verdade que é que a esquerda tem apoiado de uma forma incondicional as filosofias marxista e pós-modernista que chocam de frente com os mais fundamentais valores cristãos, e por isso parece normal — e até porventura recomendável — os cristãos preferirem eleger pessoas que, mesmo tendo falhas morais graves, prometem defender os valores cristãos.

Esta divisão entre os valores de esquerda e de direita é de facto a questão que divide os cristãos mais conservadores daqueles mais progressistas, divergindo estes relativamente a quais os valores que devem tomar primazia.

Mas a tese aqui e o centro desta discussão não é se um cristão deve ser de direita ou de esquerda, mas a seguinte ideia: colar o nome de igrejas e denominações a personalidades políticas, sejam elas quais forem, é um péssimo serviço à causa do Evangelho.

A igreja deve ter uma voz profética na sociedade, estando livre para denunciar o que, tanto de um lado da barricada, como do outro, afronta os valores cristãos — ou aplaudir o que de um lado e de outro exalta os valores cristãos. E igrejas ou denominações apoiarem um candidato ou partido específico de forma institucional, não encaixa, da minha perspetiva, com este papel profético da igreja e representa sempre promiscuidade e o abdicar de valores.

Qual deve ser então ser o centro da abordagem cristã? O centro da mensagem cristã não é uma ideologia nem um conjunto de valores, mas Cristo, e este crucificado.

c) A abordagem cristã: a cruz em ação

A Igreja de Cristo não pode ser conhecida por empunhar bandeiras políticas ou lutar uma luta primariamente ideológica, mas sim por seguir o exemplo de Cristo e anunciar a boa notícia do perdão divino e da redenção oferecida a todos na cruz.

A Igreja, o corpo de pessoas que professam fé em Jesus Cristo, deve ser conhecida, tal como Jesus Cristo, por amar as pessoas e sim, também por falar a verdade em amor; estas duas dimensões da pessoa de Cristo têm de estar sempre em tensão, sob pena de apenas afirmarmos a cultura (quando apenas queremos mostrar graça e negligenciamos a verdade), ou por outro lado de sermos apenas ativistas num lado da barricada (quando o amor e a compaixão desaparecem dos nossos discursos e tiradas ideológicas).

No Evangelho de João, Jesus dirige-se aos seus discípulos da seguinte forma:

(…) Assim como o Pai me enviou, eu vos envio a vós” — João 20:21

Como Jesus foi enviado pelo Pai para abraçar a sua cruz, cada cristão é enviado para, como Jesus, tomar a sua própria cruz. Por isso o próprio Jesus disse aos seus discípulos:

“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.” - Lucas 9:23

Sim, devemos falar a verdade em amor, mas devemos também estar prontos para sofrer num mundo que é, e sempre será, antagónico aos nossos valores. A nossa inclinação é pegar na espada e dar azo às nossas inclinações naturais, aos nossos medos, e frustrações, e lutar com as mesmas armas do mundo à nossa volta. Mas o chamado de Jesus é que nos neguemos a nós mesmos, que neguemos os impulsos que naturalmente fluem de nós, e lutarmos não com as armas do mundo, mas com “armas espirituais” (II Coríntios 10:4), porque a nossa luta não é “contra carne nem sangue”, mas contra poderes espirituais (Efésios 6:12).

Se as coisas se tornarem tão difíceis que os cristãos serão perseguidos no ocidente por falarem a verdade em amor, então olhemos para Cristo e para a forma como Deus usou a injustiça da cruz para produzir salvação.

Os cristãos não têm medo de ideologias de género ou outras, nem de perseguições e aflições, porque sabem que Deus vai usar todas essas coisas para sua glória.

Os cristãos amam sempre, mesmo se estiverem a ser crucificados por aqueles que amam. Lembremo-nos disso. Amemos. E se estivermos na cruz como Jesus, que possamos, como ele, orar: “Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem.” (Lucas 23:34).

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No artigo anterior desta série, exploramos os conceitos relacionados com a ideologia de género, e mergulhamos nos meandros da controvérsia que está no centro da mesma. Voltamo-nos agora para as evidências científicas, tentando explorar a forma como a ciência apoia ou refuta a ideologia.

III. EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS

Se os governos passam leis que refletem esta ideologia, se as associações de profissionais de saúde alteram as suas categorias, se os médicos dirigem pré-adolescentes para tratamentos hormonais que determinam o seu futuro, deve haver um apoio decisivo de evidências científicas indiscutíveis.

Do que estaremos então à procura, em termos de evidências científicas?

Se a ideologia de género vê o sexo como algo que é inteiramente construído socialmente, e o género como algo que pode ser escolhido e alterado de acordo com aquilo que cada indivíduo sente, então a pergunta chave é:

Há ou não há traços biológicos que determinem características cerebrais e psicológicas diferentes para homens e mulheres?

Se houver diferenças biológicas objetivas que dêem aos homens e mulheres uma psicologia diferente e que seja inata, toda esta ideologia cai por terra, porque aí teremos de ver o sexo não como algo que é apenas construído, mas como algo que nasce com a pessoa e é um factor incontornável no desenvolvimento da sua identidade.

Obviamente, essa influência da dimensão biológica não significa que não haja espaço para uma dimensão social na construção da identidade do indivíduo; mas havendo uma dimensão biológica nessa mesma construção, então terá de ser sempre levada em conta e não ignorada como os adeptos da ideologia de género se esforçam por fazer.

a) Diferenças genéticas

Sabemos que há diferenças genéticas entre homens e mulheres (o sexo de um indivíduo é determinado por um par de cromossomas (cromossomas sexuais). As fêmeas normalmente possuem o mesmo tipo de cromossomas sexuais (XX), e por isso designado por sexo homogamético. Os machos são o sexo heterogamético, contendo dois tipos distintos de cromossomas sexuais, um X e outro cromossoma Y.

Segundo a investigação mais recente, existem pelo menos 6500 diferenças genéticas entre homens e mulheres e é no mínimo arrojado afirmar que estas diferenças não têm qualquer influência no desenvolvimento da identidade e psicologia dos sexos — e como pergunta Colin Wright, biólogo evolucionista, “porque é que as forças biológicas que moldam toda a vida na terra devem ser exclusivamente suspensas para os seres humanos”?

Claramente, aquilo que sabemos atualmente sobre a genética humana, já é suficiente para saber que nunca poderemos falar com rigor de “mudar de sexo”: um homem será sempre um homem, e uma mulher será sempre uma mulher, independentemente de todas as operações de cosmética que se possam fazer.

Mas vamos explorar as evidências no nível cerebral e psicológico para perceber até que ponto as diferenças genéticas moldam a identidade, e olhar para um exemplo bastante citado nesta discussão: a Noruega.

b) Diferenças entre os sexos — o caso norueguês

Um documentário realizado na Noruega por Harald Eia, sociólogo e comediante norueguês, começa por apresentar dados impressionantes.

Nesse país, que tem estado consistentemente no topo do ranking mundial em questões de igualdade de género, e onde há muito que foi aberto o caminho para que as pessoas escolham livremente qualquer profissão, 90% dos enfermeiros são mulheres e 90% dos engenheiros são homens.

É o chamado paradoxo norueguês da igualdade de género, em que o governo procura por todos os meios incentivar uma distribuição igualitária dos sexos pelas profissões, e falha redondamente, seguindo os números as mesmas tendências desde os anos 80.

No documentário com o título sugestivo de “Lavagem ao cérebro”, Kristin Mile (4:15), que chefiou a Comissão para a Igualdade de Oportunidades, exclui a discriminação no mercado de trabalho como possível factor explicativo para os desconcertantes dados, e a ex ministra norueguesa da Cultura e das Crianças e Igualdade, Anniken Huitfeldt refere o facto de que as raparigas têm melhores resultados em todas as disciplinas menos a Educação Física (4:42), o que exclui algum pendor discriminatório no sistema de ensino.

Mas Catherine Egeland, diretora de Investigação no Instituto de Estudos do Trabalho (7:10) e Joergen Lorenzten (8:05) do Centro de Estudos Interdisciplinares de Género da Universidade de Oslo, referem liminarmente que os estudos que apontam diferenças no cérebro entre homens e mulheres estão ultrapassados 7:10–10:05.

A conclusão geral dos investigadores de género é que são somente as expectativas sociais, mesmo num país como a Noruega, que moldam os interesses das crianças desde tenra idade, resultando daí as diferenças observadas.

No entanto, há estudos que apontam noutra direção. Seguem-se alguns exemplos.

b) Diferenças entre os sexos: alguns estudos

Os também noruegueses Steven Sjoberg e Camilla Schreiner 5:15–6:22 — a partir de uma investigação com amostra recolhida em 40 países, chegaram à conclusão que quanto mais moderno e igualitário o país, maiores as diferenças nos interesses entre os sexos.-

De facto, muitos investigadores não só não estão tão certos de que as diferenças nos interesses entre sexos sejam meras construções sociais, como apresentam mesmo estudos que indicam uma forte componente biológica.

O psicólogo e professor dos EUA, Richard Lippa, numa investigação sobre interesses profissionais que envolveu 200 000 pessoas em 53 países e em vários continentes, chega à conclusão que há diferenças transversais às culturas entre homens e mulheres relativamente aos interesses profissionais: de uma forma geral, os homens interessam-se mais por trabalhar com coisas ou sistemas, como nas áreas de mecânica ou engenharia, e as mulheres interessam-se mais em trabalhar com pessoas, em áreas como enfermagem e educação (14:52).

Como conclui o Dr Lippa, quando há diferenças consistentes entre inúmeras culturas, isso é um sinal claro de que há um factor biológico importante.

No entanto, para se ter a certeza de que realmente essa consistência nas diferenças aponta claramente para a biologia, e não se trata de uma extraordinária coincidência, é necessário perceber quão precoces são as diferenças.

Para averiguar precisamente isso, Simon Baron-Cohen, professor de Psiquiatria no Trinity College, em Cambridge, realizou uma investigação com crianças recém-nascidas (20:24), cujos resultados documentou também num livro.

Mostrando objetos mecânicos e rostos a 100 bebés com um dia de vida, e observando as suas reações, concluiu que mais meninos olhavam mais tempo para os objetos mecânicos e mais meninas olhavam mais tempo para as caras.

Como refere o investigador, não há brinquedos nem preconceitos culturais impostos previamente. São crianças com um dia de vida, e todas as diferenças observadas mostram um factor biológico claro que começa ainda na vida intra-uterina.

A produção de hormonas, em particular, refere o investigador, parece ter um efeito profundo no desenvolvimento do cérebro: os homens, por exemplo, produzem duas vezes mais testosterona do que as mulheres. A investigação mostra que quanto mais altos os níveis de testosterona, mais tardio é, por exemplo, o desenvolvimento da linguagem, menor é o contacto visual, a capacidade para a empatia, e maior é o interesse por sistemas e mecânica.

Finalmente, Anne Campbell (25:35), psicóloga evolucionista da Universidade de Durham em Inglaterra, refere aquilo que poderia — e deveria — ser óbvio: dada a função reprodutiva das mulheres, nada mais natural do ponto de vista evolutivo do que haver um mecanismo psicológico que torne essas tarefas particularmente prazerosas para as mulheres.

Elevada propensão para a empatia, e a tendência para evitar situações de confronto físico, procurar a inclusão social e ser agradável para o grupo, entre outras, seriam características favorecedoras de condições que permitiriam às mulheres levar a cabo, com sucesso, a sua função reprodutiva e de deixar descendência.

A questão que Campbell coloca é também óbvia: se existem diferenças físicas como seios, e vagina nas mulheres, testículos e pénis nos homens, onde é que essas diferenças se originam e o que as coordena?

Mais uma vez, a resposta é óbvia: o cérebro humano, diferente entre os sexos, tal como as diferenças que coordena e alimenta.

De facto as evidências de diferenças entre cérebros de homens e mulheres potenciadas pelas hormonas são esmagadoras, e os estudos estão disponíveis para quem se der ao trabalho de consultar com um mínimo de honestidade intelectual. Este, de dois investigadores da Rockefeller University em Nova Iorque, refere em particular os efeitos no cérebro dos estrogénios, com influência no humor, função cognitiva, regulação da pressão arterial, coordenação motora, dor e sensibilidade aos opióides.

c) Diferenças entre os sexos: conclusões

No fim do documentário e apesar de todas as evidências, temos a cereja no topo do bolo, pela boca de Catherine Egeland, que diz o seguinte:

Eu penso que as ciências sociais devem contestar o pensamento que vê as diferenças entre os seres humanos como biológicas.

Prestemos atenção à singular expressão “contestar o pensamento”. Mas não será a tarefa das ciências, sejam sociais ou não, seguir as evidências até onde elas conduzirem?

Claramente não; e isto mostra-nos que a ideologia vem antes das conclusões científicas e nem sequer há abertura para seguir as evidências até onde elas poderiam conduzir.

Mais: abundam os relatos que mostram que quando algum cientista demonstra interesse em explorar esta questão das diferenças biológicas, imediatamente é acusado de querer justificar abusos aos direitos das mulheres e pessoas LGBT+.

Ora, esta pretensa submissão das conclusões científicas à ideologia é nada menos do que a antítese da ciência. E na raiz desta visão das ciências sociais como apenas um instrumento ideológico para rebater o pensamento da biologia, está a assunção de que as diferenças significam obrigatoriamente inferiorização.

Como diz Angela Saini, cientista e feminista, no seu livro intitulado “Inferior”, onde acusa a ciência de estar minada de inferiorização das mulheres durante toda a sua história:

Este é o ponto de interrogação que paira sobre nós, a levantar a possibilidade de que as mulheres estão destinadas a nunca atingir a paridade com os homens porque os seus corpos e mentes simplesmente não são capazes de tal.

Vemos então que, como esta autora assume logo à partida uma ligação entre diferenças biológicas e inferiorização/superiorização.

É verdade que as diferenças biológicas podem ser usadas para justificar a opressão das mulheres, mas não tem de ser assim: esta ligação não existe obrigatoriamente, existe por má fé de quem se vale dela para apoiar as suas filosofias, práticas, ou políticas discriminatórias.

Por isso podemos e devemos dizer sem medo que as mulheres são, em muitas situações e contextos, vítimas de opressão, e que é preciso combater injustiças.

Segundo dados das Nações Unidas:

  • Pelo menos 200 milhões de mulheres e raparigas em 30 países foram submetidas a mutilação genital feminina;
  • Em 18 países, os maridos podem legalmente impedir que suas esposas trabalhem;
  • Em 39 países, filhas e filhos não têm direitos de herança iguais;
  • 49 países não têm leis que protejam as mulheres da violência doméstica.

Estas situações devem fazer-nos pensar e lutar por um mundo mais justo para ambos os sexos. Mas para isso não é necessário, como querem os adeptos da ideologia de género, eliminar as diferenças biológicas óbvias entre os sexos.

A diferenciação não tem de conduzir à inferiorização; se quisermos dizer que conduz, temos de dizer que a própria diversidade é uma coisa má e que produz discriminação.

Ora se a diversidade para nós é um valor ou uma bandeira (como é claramente para a generalidade dos movimentos que lutam pela igualdade de género), então temos de celebrar as diferenças e não querer eliminá-las.

Independentemente de tudo isso, devemos estar abertos para as evidências científicas nos levarem mesmo até onde porventura possamos julgar contraproducente para as nossas convicções ideológicas

d) Conclusão

Porque é que não examinámos aqui estudos a focar a dimensão cultural das diferenças entre géneros? Porque nenhum investigador nega o peso cultural das diferenças; são alguns investigadores das ciências sociais adeptos da ideologia de género que negam liminarmente a dimensão biológica, não considerando sequer relevante estudar as possíveis diferenças biológicas.

Isto mostra-nos claramente, como vimos, que a ideologia vem antes das conclusões científicas, e nem sequer há abertura para seguir as evidências até onde elas poderiam guiar a investigação.

Entretanto, já fomos abordando de forma superficial as raízes filosóficas da ideologia de género. Chegou a hora de as examinarmos com mais profundidade.

IV. DONDE SAIU ESTA IDEIA?

É o momento de percebermos quais os pressupostos filosóficos que estão por trás destas ideias radicais, para o que vamos voltar à definição de ideologia de género proposta pela Dra Michelle Cretella, do American College of Pediatricians (ACP).*

A ideologia de género é um sistema de crenças que afirma que o sexo é uma construção social. A ideologia de género ensina que cada pessoa tem algo chamado “identidade de género” no cérebro, que pode ou não ser o mesmo que o seu sexo biológico. O seu princípio base é que essa “identidade de género” é mais real do que a realidade biológica material do sexo de uma pessoa. — Michelle Cretella, MD, (presidente do American College of Pediatricians)

Nesta definição encontramos duas ideias chave que nos indicam as filosofias que estão na base da ideologia de género:

  1. A ideia de que o sexo é uma construção social
  2. A ideia de que a “identidade de género” é mais real do que a biologia, e de que a segunda deve submeter-se à primeira

Estas ideias apontam-nos para as raízes filosóficas da ideologia de género.

a) Ideologia de género: raízes filosóficas

Na afirmação de que o sexo é uma construção social e não uma realidade biológica objetiva, estão implícitas duas filosofias.

O construtivismo social relativista

Por um lado, temos esta linha construtivista social relativista que diz que não havendo uma autoridade suprema, nem uma verdade absoluta, tudo é construído culturalmente e portanto subjetivo (incluindo a própria identidade).

Segundo esta perspetiva radical, a realidade não tem uma essência objetiva, o que há é múltiplas interpretações ou construções da realidade, todas elas igualmente válidas.

Poucos são os teóricos que assumem esta posição construtivista radical, mas é exatamente esta filosofia que vemos posta em prática nas ideias que estão na base da ideologia de género.

O ser humano deve então construir a sua própria identidade de género, sem referência a qualquer entidade superior, neste caso a biologia: por isso a identidade de género é vista como mais “real” do que a realidade material biológica do sexo.

Como diz Andrew Fellows no seu ensaio intitulado A Cultura do Narcisismo:

“Quando o que está do lado de fora deixa de fornecer uma auto-compreensão saudável, resta-nos retirarmo-nos para dentro e tentar construir a nossa própria auto-compreensão.”

No fundo, o que temos aqui é nada mais do que o pós-modernismo colocado em prática de uma forma coerente com as ideias que lhe estão na base.

Havia muito para dizer sobre o pós modernismo, mas vamos ficar com esta definição de Lyotard, o primeiro autor a usar esta expressão:

Simplificando ao extremo, eu definiria pós modernismo como incredulidade relativamente às meta-narrativas — Jean François Lyotard, A condição pós-moderna

Significa que já que há um número incontável de maneiras pelas quais o mundo pode ser interpretado e percebido, então nenhuma forma de interpretação, é superior — não há nenhuma meta-narrativa ou interpretação definitiva da realidade, todas são igualmente válidas.

Por isso é que o pós modernismo vive bem com contradições, e não nos devem espantar as profundas irracionalidades da ideologia de género.

Por exemplo, podemos perguntar: se não há diferenças entre homens e mulheres, então como se pode falar numa identidade de género feminina em pessoas que são biologicamente homens, ou masculina em pessoas que são biologicamente mulheres? Como se identifica essa identidade?

Resposta: recorrendo aos estereótipos de género que a ideologia diz querer destruir em primeiro lugar. Percebe-se que uma mulher é um homem se ela quiser usar roupas de homem e quiser ter um pénis — um pénis que é, no fundo, também uma construção social, segundo esta filosofia.

É por isso que os movimentos feministas (que promoveram a ideologia de género em primeiro lugar) estão a insurgir-se contra o ativismo transgénero: este alimenta-se dos estereótipos de género e transforma homens com pénis em mulheres — mulheres que depois suplantam as “outras” mulheres em provas desportivas como a do Campeonato Mundial de Track Cycling, por exemplo, que resultou na primeira “mulher” [homem biológico] transgénero campeã(o) mundial numa prova desportiva.

É preciso dizer que o feminismo radical está a provar do seu próprio remédio. Este alimenta-se da ideia de que o sexo é uma construção social e que não há diferenças psicológicas entre homens e mulheres, por isso os movimentos feministas radicais também deveriam apoiar esta ideia de que um transgénero com pénis é uma mulher se for essa a sua identificação de género.

O que os movimentos feministas não querem é lidar com as consequências práticas da sua própria filosofia, que mina completamente a essência do que significa ser mulher.

Outro grupo que fica também numa posição muito desconfortável são os homossexuais: um homem que é atraído por outros homens e que se interessa por coisas tipicamente femininas, não será na realidade um transgénero?

Essa sombra pairará sempre sobre os homossexuais se esta ideologia for verdadeira, e, nesse sentido, o transgenerismo ameaça claramente a homossexualidade enquanto conceito: um homem não é objetivamente homem — tudo isso são construções sociais e estereótipos.

Todas estas contradições são reais, mas o pós-modernismo consegue acomodar todas elas: não há verdades absolutas, e todas as interpretações da realidade valem o mesmo.

Mas não é o pós-modernismo a única filosofia na base da ideologia de género; há outra filosofia que podemos detetar subjacente às ideias que compõem esta ideologia.

O marxismo

Para Marx a desigualdade económica era a raíz de todos os males, e a utopia que idealizou preconizava uma sociedade sem desigualdades, sem sistema de classes, sem propriedade privada, sem direitos individuais (que Marx achava que se resumiam a proteger o direito dos proprietários de propriedade de se apegarem à mesma), e também sem estado (que ele apelidava de “comissão para administrar os assuntos da burguesia”).

Por conseguinte, no marxismo, a história pode ser vista como uma batalha entre oprimidos — a classe trabalhadora ou proletariado — e os opressores — a burguesia que detinha a riqueza e os meios de produção.

Lemos no Manifesto do Partido Comunista, escrito por Marx e Engels:

A história de toda a sociedade até aqui é a história de lutas de classes.

Segundo a cosmovisão marxista, se apenas conseguirmos ajustar a sociedade de forma a eliminar as injustiças sociais, é possível acabar com o sofrimento humano.

Para alcançar esse objetivo, Marx via — e encorajava — apenas um meio: a revolução pela classe trabalhadora, que levaria ao estágio final da história, o comunismo — que, escreveu Marx, “é a solução para o enigma da história e conhece-se a si mesmo como essa solução.”

Ora no aprofundamento desta dialética entre oprimidos e opressores, Marx e Engels, seu colaborador de uma vida, chegam àquilo que consideram a raíz de toda a opressão.

Engels escreve:

O primeiro antagonismo de classes que apareceu na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher na monogamia; e a primeira opressão de classes coincide com a opressão do sexo feminino pelo masculino.

E Marx acrescenta:

“A família moderna contém, em germe, não apenas a escravidão (servitus) como também a servidão, pois, desde o começo, está relacionada com os serviços da agricultura. Encerra, em miniatura, todos os antagonismos que se desenvolvem, mais adiante, na sociedade e em seu Estado.”

Começamos a vislumbrar a influência marxista na cultura que dá origem à ideologia de género: aliadas ao motor do construtivismo radical pós-modernista que vê as construções humanas das identidades de género como mais reais do que a biologia, as ideias marxistas vêm dar o combustível necessário para que a ideologia se transforme em revolução — não uma revolução militar pela força, mas uma revolução cultural que começa nas mentes das pessoas e muda a cultura de baixo para cima. Por isso falamos de marxismo cultural.

Quem são então os opressores e os oprimidos na ideologia de género?

Apesar de começar pelos homens que oprimem as mulheres, passando pela religião que é vista como não mais do que um instrumento para perpetuar os dogmas da opressão — e estes elementos são diretamente importadas do marxismo — a ideologia de género leva a revolução a um novo nível, sendo a biologia, que traz a ideia de que a opressão é natural, também um instrumento de opressão, e portanto um alvo a abater.

Um Deus criador é o inimigo, mas na sociedade pós-cristã ocidental Deus já está morto; a religião continua a ser vista como uma ameaça, mas agora, uma ciência que aponta para uma realidade objetiva criada e mantida por leis da natureza, é também um alvo a abater na construção livre da identidade do ser humano.

Em conclusão, vemos que a ideologia do género tem na base duas filosofias que deveriam ser incompatíveis. Como diz Jordan Peterson:

Os pós-modernistas deveriam ser tão céticos em relação ao marxismo quanto a qualquer outro sistema de crenças canónico.

Mas de facto, na prática, não são. Antes, aliam-se contra um inimigo comum: o cristianismo.

A cosmovisão judaico cristã é, por causa dos valores que lhe estão na base, o pior inimigo deste neo-marxismo pós moderno, e também, por inerência, da ideologia de género. Iremos explorar o que a cosmovisão cristã tem a dizer sobre este tema no próximo texto desta série.

É importante referir que O ACP é uma associação de pediatras que se separou da American Academy of Pediatrics (AAC) — ou Academia Americana de Pediatras em 2002 por causa do apoio deste organismo à adoção por casais homossexuais.

Fonte: https://medium.com/crist%C3%B3centro/ideologia-de-g%C3%A9nero-evid%C3%AAncias-cient%C3%ADficas-e-ra%C3%ADzes-filos%C3%B3ficas-2-3-727d3d78055a 

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I. DO QUE ESTAMOS A FALAR?

Em primeiro lugar, esclareçamos os termos. O vocabulário associado à ideologia de género é complexo e pode introduzir níveis muito elevados de ruído, pelo que é importantíssimo sabermos do que estamos a falar quando proferimos cada uma das palavras que usamos ao falar sobre este tema.

a) Esclarecendo os termos

Sexo

No dicionário de psicologia da APA, a Associação de Psicologia Americana, lemos que sexo significa o conjunto de traços fisiológicos que distinguem machos e fêmeas.

No entanto, nas diretrizes da APA para a prática clínica com pessoas transgénero, lemos algo diferente: o sexo é normalmente atribuído no nascimento (ou antes ou durante a ecografia), baseado na aparência da genitália externa.

Parece haver aqui um cuidado em não mencionar a componente biológica ao abordar a população transgénero, e essa impressão fica reforçada na definição seguinte, a de género.

Género

Segundo um artigo da OMS já de 2001, género, no seu sentido mais restrito, significa sexo socialmente construído, seja feminino ou masculino. Foi na década de 1970 que as feministas americanas e inglesas começaram a usar os termos “género” e “relações de género“. Nos anos 90, com a chancela das conferências da ONU, como a Conferência do Cairo (1994) ou a Conferência Mundial sobre as Mulheres, em Pequim (1995), este termo veio definitivamente substituir a utilização da palavra sexo.

Como a autora desse artigo patrocinado pela OMS, Jeanne Bisilliat, Antropóloga, também indica:

O conceito de género implica uma rejeição da distinção biológica subjacente à palavra “sexo” e à expressão “desigualdade sexual”, que aparece como “álibi ideológico para manter a dominação, o álibi da natureza.

Vemos que aqui não há apenas uma visão do sexo como tendo uma dimensão socialmente construída, mas que se rejeita liminarmente a dimensão biológica do sexo e se equipara o seu uso à opressão de um sexo pelo outro.

É importante dizer que nem todas as definições de género são tão radicais como esta, que “implica uma rejeição das distinções biológicas subjacentes à palavra sexo” (a APA, por exemplo, não rejeita abertamente a dimensão biológica, embora a omita convenientemente em ocasiões como a que vimos).

Identidade de género

Socorrendo-nos ainda das diretrizes da APA para a prática clínica com pessoas transgénero, encontramos a seguinte definição de identidade de género:

“O sentimento íntimo de ser homem, mulher, ou um género alternativo (por exemplo, genderqueer, género não-conforme, género neutro [classificações de género que pretendem constituir alternativas ao masculino e feminino]) que podem ou pode não corresponder ao sexo de uma pessoa, atribuído ao nascimento ou primária da pessoa ou características sexuais secundárias.“

Lemos também o seguinte:

“Dado que a identidade de género é interna, a identidade de género de uma pessoa não é necessariamente visível para os outros.”

Fica então patente nesta definição a aparente independência do sentimento íntimo do que se é em termos identitários, relativamente aos traços biológicos. As duas coisas simplesmente não aparecem como estando relacionadas.

Identidade sexual

A identidade sexual é definida pela APA como “auto-perceção em termos de atração sexual/orientação sexual”.

Vemos que o conceito de identidade sexual, foi reduzido à orientação sexual, sendo que a identidade de género substituiu este termo. Mais uma vez, não aparece nesta conceptualização nenhuma ligação da identidade sexual aos traços biológicos, o que está em linha com a ideia atual de que não há um “ideal biológico” de identidade sexual.

É que se o ser humano possuir uma identidade sexual ligada aos traços biológicos, isso implica que uma identidade sexual que contrarie os traços biológicos será um desvio patológico.

A identidade de género é então vista como um sentimento puramente subjetivo.

Igualdade de Género

Segundo um artigo da UNICEF,

Igualdade de género significa que homens e mulheres e meninas e meninos, desfrutam dos mesmos direitos, recursos, oportunidades e proteções. Não exige que meninas e meninos, ou mulheres e homens, sejam iguais, ou que eles sejam tratados de forma exatamente igual.

Apesar deste aviso da UNICEF de que igualdade de género é essencialmente igualdade de recursos, oportunidades e proteções e não implica atribuir tratamento ou natureza igual aos diferentes sexos, não parece ser isso que resulta da evolução que observamos no pensamento sobre as questões de género.

b) Construindo o sexo

Usar o sexo do termo para descrever as diferenças biológicas, e género para descrever as diferenças socialmente construídas — ignora o facto de que distinções biológicas são construções sociais, pelo menos em parte. Que a biologia moderna, por exemplo, interpreta o pénis como um órgão distinto da vagina, é uma construção social, mais uma consequência da mudança culturais metáforas do que de novas provas científicas (Laqueur).

As ideias são do autor e professor de história Thomas Laquer e retiradas de um livro escrito em 1992; a citação é retirada da Enciclopédia de Bioética da publicadora McMillan Reference USA.

Existe então um pensamento ideológico que avança este tipo de ideias de que até os próprios órgãos sexuais são (no mínimo em parte) socialmente construídos, e que tem claramente encontrado eco em várias esferas da sociedade.

Estas ideias começam na academia, e depois são transportadas pelos media para o mainstream cultural. Indya Moore, uma “mulher” transgénero que é na realidade biologicamente um homem (ator na série Pose do canal SyFy), tweetou o seguinte:

 
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Se uma mulher tem um pénis, o seu pénis é biologicamente feminino

Uma página LGBT+ pegou nesse tweet e clarificou o raciocínio:

 
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Mulheres transgénero (homens) são mulheres

Então mulheres transgéneros têm corpos de mulher

Então os pénis de mulheres transgéneros são pénis de mulher

Este tipo de ideias e outras relacionadas, configuram aquilo a que chamamos “ideologia de género”, e são essas ideias que vamos explorar neste texto.

Mas o que é afinal a ideologia de género?

c) Ideologia do género — uma definição

Segundo a Dra Michelle Cretella, presidente do American College of Pediatricians (ACP) — em português, Colégio Americano de Pediatras,

A ideologia de género é um sistema de crenças que afirma que o sexo é uma construção social. A ideologia de género ensina que cada pessoa tem algo chamado “identidade de género” no cérebro, que pode ou não ser o mesmo que o seu sexo biológico. O seu princípio base é que essa “identidade de género” é mais real do que a realidade biológica material do sexo de uma pessoa. — Michelle Cretella, MD, (presidente do American College of Pediatricians — ACP*)

Na definição de género mencionámos a questão da dimensão de construção social do sexo. Mas a ideologia de género diz-nos que os sexos masculino e feminino são uma pura construção social, e que não há diferenças objetivas entre os sexos.

Agora, daquilo que é claramente o outro lado da barricada, publicações progressistas como o The Guardian posicionam-se em frontalmente contra a própria ideia da existência da ideologia de género:

[a ideologia de género] É uma teoria de ativistas religiosos de extrema direita, que a apresentam como um movimento liderado por gays e feministas para derrubar a família tradicional e a ordem natural da sociedade. É uma expressão fabricada para vender uma narrativa falsa e justificar a discriminação contra mulheres e pessoas LGBT.

Será que na realidade a própria existência da ideologia de género é uma teoria da conspiração?

II. A IDEOLOGIA DE GÉNERO EXISTE?

Um vídeo produzido pelo Family Policy Institute of Washington dá-nos um insight surpreendente sobre como universitários nos EUA não conseguem dizer a um homem branco que ele não é uma mulher chinesa, mostrando um total desprezo pela biologia e uma espécie de tolerância bizarra por quaisquer devaneios que alguém possa construir sobre si próprio.

Neste vídeo vemos claramente que há um conjunto de pressupostos filosóficos na mente dos universitários entrevistados relativamente não apenas ao género, mas à forma como a realidade é concebida — neste caso, uma conceção da realidade como construída por cada pessoa, sem que outros tenham o direito de colocar essa construção em questão.

Podemos concluir então que não apenas está instalada esta ideia de que o sexo é socialmente construído, mas que toda a biologia humana é socialmente construída e a sociedade deve organizar-se de forma coerente com essa filosofia.

Estamos perante ideias que não se limitam à realidade dos Estados Unidos, mas que se encontram disseminadas no mundo ocidental. Nomeadamente em Portugal, esta ideologia tem vindo também a encontrar eco na academia.

a) Ideologia de género em Portugal

Estamos prontos para abraçar a ideia de que o género de cada um depende da identidade de género e não de características do corpo, como a genitália? Somos mesmo capazes de reconhecer uma transexual que mantém os genitais masculinos como uma mulher verdadeira? E de reconhecer um transexual grávido como um homem?

Estas perguntas foram colocadas pelo investigador e presidente da ILGA Nuno Pinto, numa entrevista ao Público depois da aprovação da sua tese de doutoramento no ISCTE sobre a experiência e representação de transexualidade.

Este é então o objetivo assumido dos ativistas da ideologia de género: que os genitais e a biologia signifiquem zero na perceção que temos daquilo que é um homem e uma mulher.

E em termos legais, estamos muito bem encaminhados para que de facto seja assim. Aliás, um dos estudos da tese de doutoramento de Nuno Pinto era sobre as representações sociais que vieram à tona durante o debate público da lei da identidade de género, aprovada em 2011.

No dito estudo, o autor avalia o que saiu da comunicação social no período da discussão da lei e conclui que tinha havido “mais ênfase ao corpo (à genitália) do que à identidade de género”, o que segundo o autor “pode ajudar a perpetuar a ideia de que um transexual não é mesmo um homem e uma transexual não é mesmo uma mulher.”

Vemos aqui claramente a biologia a ser retratada como inimiga desta ideologia.

Mas qual é então a lei em Portugal relativamente à chamada auto-determinação de género?

b) Ideologia de género em Portugal: a dimensão legal

Em 2011, o estado passou a reconhecer o direito à chamada auto-determinação de género, dispensando a esterilização forçada, a “mudança de sexo”, qualquer tratamento hormonal ou prova de que as pessoas vivem segundo as convenções sociais — como acontece noutros países.

Em Portugal apenas é exigido um requerimento e um relatório médico assinado por dois profissionais para que a pessoa possa mudar de género nos seus documentos de identificação.

Em 2018, passa outra lei em que uma das mudanças anunciadas foi a diminuição de 18 para 16 anos como idade a partir da qual será possível mudar de género nos documentos de identificação, desde que com autorização dos pais — algo que o Bloco de Esquerda tentou que não fosse impedimento.

Outro dos pontos negativos desta lei, segundo a agenda progressista dos ativistas de género, é que, ignorando um parecer prévio do Conselho Nacional de Ética e Ciências da Vida, (CNECV) não cria um género neutro.

Sim, um conselho de ética e ciências da vida emitiu um parecer para que fosse criado um género neutro nos documentos de identificação (como aliás Nova Zelândia, a Austrália e a Índia já prevêem).

Esta “diversificação de géneros” é aliás uma das novidades que a ideologia de género nos traz. Porque o género é uma construção social pura, podem haver não um, não dois, mas os géneros que se quiser construir. O limite é a imaginação.

 
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E apoiados pelas leis que validam esta ideologia, os ativistas da ideologia de género estão livres e motivados para promover estas ideias na sociedade, a começar pelas escolas.

c) Ideologia de género: numa escola perto de si

A pretexto da igualdade de género, empurra-se também esta ideologia que vê o sexo como construção social e, por inerência, o género como algo que se pode escolher livremente.

Apesar de não apresentar a ideologia de género na sua forma mais radical, o Guião de educação Género e Cidadania Pré-escolar de 2015, que dá diretrizes para o ensino pré-escolar relativamente às questões de género, reflete claramente também esta filosofia. Neste manual lemos o seguinte:

O silêncio em torno das “novas” identidades sexuais e de género constitui-se numa forma de representá-las, na medida em que as marginaliza e as deslegitima. O silêncio e o segredo significam uma tomada de posição ao lado de quem já detém a autoridade e a legitimidade.(…) a omissão sempre favorece a dominante. — Guacira Louro, 2000, cit. in Guião de educação Género e Cidadania Pré-escolar (pp.52,53)

Reparemos na ideia de “novas” identidades sexuais e de género e também na ideia de que não as apresentar é marginalizá-las e favorecer a opressão das minorias.

A ideia que vemos a ser transmitida sub-repticiamente é que é perfeitamente normal não querer encarnar o género que foi “atribuído” no nascimento; o problema, segundo a ideologia de género, é a sociedade querer impor um género à criança só porque esta nasceu com os genitais normalmente associados a esse género.

d) Uma revolução de género

Estas ideias estão em plena circulação no mainstream cultural, como deixa bem evidente o destaque que a revista National Geographic (NM) dá a Avery Jackson, um menino que vive como se fosse uma menina.

 
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A editora chefe da revista, Susan Goldberg, diz o seguinte no artigo que escreveu para explicar aos leitores porque é que a NM decidiu colocar Avery na capa da sua edição especial:

Hoje, não apenas falamos sobre papéis de género para meninos e meninas — estamos a falar da evolução do nosso entendimento das pessoas no espectro do género.

Por outras palavras, o género não reflete um sexo feminino ou masculino; o género é um espectro que vai até onde a construção social quiser. É exatamente essa ideologia que está a ser promovida em Portugal, embora não ainda com os mesmos efeitos práticos visíveis.

O mais alarmante é que nos EUA e no Reino Unido, parece estar a haver um efeito de contágio entre adolescentes: em alguns casos, grupos de adolescentes que nunca tinham manifestado qualquer desconforto com o seu corpo, estão a “assumir-se” como transgéneros praticamente em bloco, tendo sido cunhada pela investigadora que denunciou esta situação, Lisa Littman, uma nova expressão para designar este fenómeno: “disforia de género de início rápido”.

Este fenómeno fica bem ilustrado por este dado, que está a ser investigado pelo governo do Reino Unido: o número de raparigas adolescentes a procurar tratamento para mudança de género aumentou 4500%!

Importante é também dar atenção àqueles que se arrependem da mudança, como as pessoas que dão a cara neste documentário, as quais, tendo feito todos os procedimentos possíveis para mudar de aparência para o sexo oposto, relatam o sofrimento que nunca deixaram de sentir.

Walt Heyer, ex transgénero e agora ativista contra a ideologia de género, que ajuda pessoas que se arrependem das mudanças de género, diz o seguinte:

Inicialmente eu estava entusiasmado com o novo começo. Mas as hormonas e as cirurgias genitais de mudança de sexo não conseguiram resolver os problemas que estavam na raíz da minha disforia de género.

Este é um quadro comum a muitas pessoas que enveredam pela cirurgia de reatribuição de sexo: um estudo levado a cabo na Suécia que acompanhou durante 30 anos 324 pessoas transgénero em processo de transição, revela que as taxas de suicídio se mantinham num nível 20 vezes superior ao da população geral.

Nesta área da saúde transgénero, e como consequência da ideologia de género, alteram-se as formas de abordar clinicamente o fenómeno de pessoas ditas transgénero.

e) Ideologia de género: diagnóstico

Outrora, o rótulo diagnóstico do conjunto de sintomas das pessoas transgénero, seria a chamada Perturbação da Identidade de Género. Contudo, desde 2013 que esta condição deixou de ser classificada como uma doença mental pela Associação de Psiquiatria Americana, que muda a classificação no DSM 5, o seu Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais.

A perturbação passou a ser denominada “disforia de género”, expressão que retira o problema da condição de confusão inerente à patologia ao nível da identidade, e coloca o problema apenas na forma como a pessoa gere essa condição (a disforia), deixando a condição de ter carga psicopatológica intrínseca.

Em 2017, e com o objetivo de retirar toda e qualquer associação desta condição a uma psicopatologia, a Dinamarca torna-se o primeiro país a eliminar esta condição de qualquer categoria diagnóstica, rejeitando a ideia de que há uma condição psicológica disfuncional associada a indivíduos transgéneros.

Caminhamos assim a passos largos para a visão de que não há de facto qualquer problema com pessoas que se sentem “aprisionadas” em corpos do sexo oposto ao que sentem que são, isto apesar destas pessoas registarem índices elevadíssimos de depressão (50% das pessoas transgénero, um número oito vezes superior à média da população geral), ansiedade (50% das pessoas transgénero, um número quatro vezes superior à média da população geral), suicídio (40% das pessoas transgénero, um número nove vezes superior à média da população geral), e várias outras patologias como o abuso de drogas (num estudo em adolescentes, verifica-se que o consumo de drogas entre pessoas transgénero é 2 a 3 vezes superior à média da população geral).

A explicação popularmente assumida para estes índices é uma só: discriminação e estigmatização social; nada que tenha a ver com o facto de, como estas pessoas referem, se sentirem aprisionadas num corpo que não é o delas — aparentemente isso não produz qualquer disfunção psicológica intrínseca. Se a sociedade aceitar, tudo estará bem.

Como resultado desta ideia de que não há qualquer problema com o transgenerismo a não ser a estigmatização social, há relatos de famílias a cujas crianças e adolescentes é vedado o investimento em psicoterapia, sendo ao invés dirigidas para serviços de terapias hormonais e cirurgia de “mudança de sexo”, o que pode ter consequências desastrosas para a saúde dos adolescentes e o seu futuro.

f) Ideologia de (trans)género: tratamento

No que toca ao processo clínico , e visto que a partir da pré adolescência começam os tratamentos para “reatribuição de género”, vemos um cenário bastante preocupante a desenrolar-se, principalmente devido à escassez de evidências sobre o impacto dos tratamentos.

Resumidamente, há três passos no tratamento da disforia de género, cada um envolvendo riscos e efeitos negativos, bem como podendo também contribuir para o alívio do sofrimento (pelo menos imediato) dos pacientes.

Bloqueadores de puberdade

O primeiro passo é o tratamento com os chamados bloqueadores de puberdade (Agonistas da hormona Libertadora de Gonadotropina — ALG), que adiam a puberdade, “dando tempo” ao (pré) adolescente e à sua família para perceber se o caminho é avançar para a “transição” (nesta fase normalmente há uma exploração prática de como é viver socialmente como membro do sexo que o adolescente supostamente sente que é o seu).

Neste ponto, havendo arrependimento, e segundo dizem os profissionais favoráveis a estes medicamentos, as mudanças podem ser reversíveis, e a puberdade retomará o curso normal se o tratamento for suspenso. No entanto, não há estudos de longo prazo que mostrem que isto é verdade, havendo, pelo contrário, várias evidências que apontam para uma forte possibilidade de poder haver áreas do desenvolvimento que ficam para sempre comprometidas.

Alguns exemplos são a densidade óssea que pode nunca recuperar, processos do desenvolvimento cognitivo que nunca são completados, e uma quase inevitável progressão para tratamentos hormonais com hormonas do sexo oposto, com consequências, essas sim, definitivamente irreversíveis.

Tratamentos hormonais

O segundo passo é o tratamento com hormonas do sexo pretendido, que leva inevitavelmente à infertilidade e a muitos outros problemas ao nível do desenvolvimento sexual e reprodutivo.

Os estrogénios que são administrados aos rapazes podem provocar problemas de saúde como trombose venosa profunda (TVP), embolia pulmonar ou alteração da função hepática. As raparigas, a quem é administrada testosterona, provoca hiper produção de glóbulos vermelhos, e aumenta o risco de AVC — tudo isto a acumular com os efeitos dos bloqueadores de puberdade.

No entanto, no que diz respeito a estes dois tipos de tratamentos, é fundamental dizer e repetir: não há estudos de longo prazo do impacto destas drogas em crianças e adolescentes para se poder com segurança prescrever estes fármacos. Pelo contrário, há fortes indícios de que estes medicamentos têm inúmeros riscos e efeitos nocivos.

Cirurgia

As cirurgias são o último passo no “tratamento” da disforia de género, e consistem em eliminar os carateres sexuais do sexo biológico e tentar construir uma aparência dos carateres sexuais do sexo pretendido. Como vimos com o caso de Walt Heyer, mesmo quando completos todos os passos e consumada a cirurgia, muitos dos problemas mantêm-se.

Apesar disso, a investigadora encarregada de um estudo financiado pelo governo dos EUA sobre tratamento de adolescentes transgénero, Dra. Johanna Olson, advoga este tipo de cirurgias em adolescentes, com pouca ou nenhuma avaliação psicológica prévia.

E nesse mesmo estudo que está a conduzir, comunicou à autoridade financiadora que tinha sido baixada a idade mínima para os sujeitos poderem receber hormonas do sexo oposto de 13 para 8 anos de idade.

Nesse estudo, crianças de 8 anos de idade podem então começar a ser medicadas com este tipo de drogas cujos efeitos no seu desenvolvimento são quase totalmente desconhecidos (o primeiro estudo longitudinal que acompanha um número significativo de pessoas (2600) que estão em tratamento com hormonas do sexo oposto ao longo do processo, começou em 2010 na Europa, e ainda está a decorrer — e será necessário muito mais tempo para se perceberem os efeitos a longo prazo).

Desistir da transição

Já vimos que muitas pessoas que avançam para cirurgias se arrependem. Mas e quanto aos adolescentes que iniciam os tratamentos? Que percentagem deles desistem da “mudança de sexo”? Dois estudos analisados neste artigo da publicação The Cut, um levado a cabo na Holanda e outro no Canadá, mostram, respetivamente, que dois terços e 88% das pessoas (no caso do Candá o estudo foi feito só em rapazes), passaram a assumir o seu sexo biológico depois de alguns anos.

Uma percentagem muito alta, que deve inspirar muito cuidado nas decisões políticas, legais, e médicas que rodeiam estas questões.

Neste ponto impõe-se uma chamada de atenção importante: estes estudos, como praticamente todos os que estão a ser citados, são objeto de controvérsia, muitas vezes usados como bandeiras por um dos lados da guerra ideológica, e demonizados pelo outro lado, e vice versa — e muito raramente examinados com imparcialidade.

E quanto ao que pode estar na origem destes problemas? É possível saber o que provoca as perturbações na identidade de género e a disforia de género?

Causas

Não são conhecidas as causas concretas do que pode estar na origem do quadro psicopatológico da disforia de género. No entanto, e como em todas as psicopatologias, parecem estar envolvidos uma multiplicidade de fatores que muitas vezes se combinam.

Anomalias hormonais no ambiente intra-uterino causadas por várias possíveis condições médicas, história de abuso sexual na infância, ou vulnerabilidade resultante de dificuldades no desenvolvimento e/ou bullying na infância podem estar na origem de alterações ao nível da identidade de género.

Apesar destes referidos factores sociais e de abuso não serem populares enquanto explicação, há testemunhos sobre o impacto destes factores, e também investigação nesta área no âmbito da psiquiatria que encara com seriedade esta questão.

Quanto a possíveis causas genéticas, os estudos até à data não encontram qualquer fator genético na génese da disforia de género.

Até aqui esclarecemos os termos, pintámos o retrato da situação atual das questões de género, e estabelecemos sem sombra de dúvida que a ideologia de género existe.

Mas o que podemos dizer relativamente ao seu caráter científico?

Se os governos passam leis que refletem esta ideologia, se as associações de profissionais de saúde alteram as suas categorias, se os médicos dirigem pré-adolescentes para tratamentos hormonais que determinam o seu futuro, deve haver um apoio decisivo de evidências científicas indiscutíveis.

De facto seria isso o esperado. No entanto, a realidade simplesmente não é essa. Exploraremos as evidências científicas no próximo artigo desta série.

Fonte: https://medium.com/crist%C3%B3centro/ideologia-de-g%C3%A9nero-do-que-estamos-a-falar-1-3-adacd6efc7b9 

Ou geração ZERO:

«Indefinidos – para a Geração Z, o importante é não se definir. O “eu” é seu reino e seu lugar. Quebram e contestam vigorosamente todos os estereótipos e não ligam para definições de gênero, idade ou classe. Hipervalorizam o próprio eu, e por isso, desconstroem os rótulos, valorizando a identidade fluida. Exaltam a individualidade, entendem a diferença. É a geração dos amigues (ou seja, vazia)Conversadores – Um traço surpreendente dos novos jovens é que eles constroem e não rompem. Dialogam, entendem e agregam. São avessos à polarização, compreendem a diferença. O diálogo é a ferramenta e a rede, seu campo de conciliação. São ativistas, compassivos e ponderados (embora sejam cada vez mais desobedientes, anarquistas e violentos).

São a geração formatada pela escola, a geração do sexo fluído (na verdade, a mais promíscua da História).

- SEXO FLUÍDO?
Sim, e não é de hoje. Senão vejamos a capa da revista Veja de Setembro de 2017:
 
«Sexo na revolução dos costumes da geração Z. Elas e eles se dizem neutros. A sexualidade é fluída. ... E você não tem nada com isso». (veja a imagem)
 
Noutras palavras: «Eu vivo a minha individualidade, eu faço o que quero, do jeito que quero e vou usar o meu corpo como muito bem me apetecer para fazer tudo o que a minha imaginação, devidamente formatada pela Escola e pela media, mandar.»
No interior da revista, temos uma menina de 21 anos que se diz bissexual e outra de 18 anos que diz ser homossexual. Na reportagem podemos ler coisas que, há poucos anos, eram impensáveis:
Sexualidade neutra
Sexualidade fluída
Recentemente, o Colégio D. Pedro II (considerado o melhor colégio estadual do Rio de Janeiro) começou a ensinar a ideia de identidade de género e, numa prova, pode ler-se:
Em vez de aluno/aluna Alunix
A ideia é dizer que os alunos são neutros [não têm sexo definido] e que isso é algo que eles podem escolher. Então, os alunos tratam-se assim:
Amiguix
Queridix
Mas como é difícil terminar todas as palavras em ix, parece que a coisa vai ficar só "amigui" e "queridi" e "amiguêz" porque a amizade não tem sexo.
 
Agora, páre, olhe para a idade dessas meninas (da capa da revista) e pense: «Há quanto tempo é que o PT [Esquerda] está no poder??»
— 14 anos (8 com Lula, 4 com Dilma e dois na confusão que reinou até o PT perder as eleições).
Então, quantos anos tinham essas meninas quando a Esquerda começou a implantar a Ideologia de Género nas escolas do Brasil?
— 4/5 anos.
Portanto, a geração Z são aquelas crianças que são educadas pela Escola (e algumas, infelizmente, pelos próprios pais moderninhos) a pensar que não têm sexo definido.
 
Personalidades famosas, como a cantora Adéle, que levou o seu filho à Disney e o vestiu de princesa (se fosse menina seria denunciada pela (IN)Capazes como sexista), são exemplo (muito mau exemplo) para pais e filhos.
Mas, de onde vem essa ideia de que artistas, essas pessoas que o povo acha espectaculares — com ideias modernas, bonitas e inteligentes — como por ex., Brad Pitt e Angelina Jolie, promovem?
 
 
Creio que sabem que este casal tem uma filha que, aos dois anos, disse que queria que lhe chamassem John, depois Pedro, mais tarde John... e que a mãe decidiu que era a menina, de 2 anos, quem decidiria o que vestir. Hoje, parece que a menina já faz tratamento de hormonas cruzadas e está a transformar-se em algo que jamais será — um homem. 
 
Posto isto, qual é a característica que podemos observar na moda, na vida e no sentido para onde caminhamos?
— Creio que caminhamos para a androginia [1]. Algo como isto: 
 
Olhamos, olhamos e não sabemos se é homem ou se é mulher.
Só um aparte: Assistiu ao filme "A Paixão De Cristo"? Reparou que Satanás é andrógino? Um ser que não se sabe se é homem ou mulher? E, lamentavelmente, parece que a sociedade está a querer seguir nessa direcção.
Mudar uma cultura e uma cosmovisão demora anos. No Brasil, ao fim de 14 anos de Ideologia de Género nas escolas — e certamente em muitos lares — a geração dos 18/21 anos está totalmente confusa, hiper-sexualizada e a caminho de uma desconstrução total.
Cá, em Portugal, a Geringonça só leva 2 anos e veja-se o que já fez aprovar...
Se formos pesquisar, verificaremos que os governos socialistas anteriores (principalmente o de José Sócrates) já havia dado passos silenciosos, mas seguros, nesta direcção. Deixo-lhe algumas perguntas:
Como estará esta geração daqui por mais 2 anos?
— Quanto tempo demorará a vermos os nossos jovens completamente sexualizados, confusos e altamente problemáticos, devido à descontrução total de quem realmente são?
— Como é que os meninos [os homens de amanhã] se sentem quando são acusados de serem os maiores culpados de todos os problemas das mulheres?
— Como é que o seu filho/a se sente quando lhe é dito que você lhe mentiu ao dizer-lhe que é um menino/menina, e que será a escola a dar-lhe as ferramentas necessárias para que ele decida quem realmente é?
 
Esta loucura insana da Ideologia de Género só pode redundar em notícias como esta:
 
 
«A ideologia de género é, para a mente humana, o mesmo que um vírus informático para um computador.»
 
[1] an·dró·gi·no
(andro- + -gino)
adjectivo

1. [Biologia]  Hermafrodita.

2. Que apresenta características sexuais ambíguas.

adjectivo e nome masculino

3. Que ou quem não tem características marcadamente femininas nem marcadamente masculinasou tem características consideradas do sexo oposto.

Confrontarandrógeno.

"andrógino", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/andr%C3%B3gino [consultado em 02-10-2020].