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Ideologia de Género [Sexo]

A Ideologia de Género [SEXO] desintegra a família para parir um ser solitário e sem raízes: o consumidor e súbdito perfeito.

Ideologia de Género [Sexo]

A Ideologia de Género [SEXO] desintegra a família para parir um ser solitário e sem raízes: o consumidor e súbdito perfeito.

19.Jul.19

MINUTAS DE CARTAS

PARA ENVIAR ÀS ENTIDADES COMPETENTES

 

Se estiver de acordo com o teor da Carta Aberta que se apresenta abaixo, então, sugiro que reencaminhe a mesma para os seguintes e-mails - basta copiar e colar em ENVIAR depois de ter accionado REENCAMINHAR:

 

belem@presidencia.pt

gabpar@ar.parlamento.pt

gabinete.pm@pm.gov.pt

gab.ministro@medu.gov.pt

plataforma-rn@outlook.com

bloco.esquerda@be.parlamento.pt

gp_pp@cds.parlamento.pt

gp_pcp@pcp.parlamento.pt

pev.correio@pev.parlamento.pt

gp_ps@ps.parlamento.pt

gp_psd@psd.parlamento.pt

Pan.correio@pan.parlamento.pt

 

 

Exmo. Senhor Presidente da República Portuguesa

Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa

 

Assunto importante: liberdade das famílias ameaçada.

 

Sabemos que o Estado, nomeadamente a Geringonça, o Ministério da Educação e o Sr. Ministro da Educação, criaram a disciplina “cidadania e desenvolvimento”.

E qual é o problema?

É duplo:

A disciplina faz opções em matérias de consciência, matérias que invadem o direito e obrigação dos pais na educação dos seus filhos. Apesar disso, impõem a disciplina como obrigatória.

Desta maneira, ou o Estado, ou o Ministério da Educação e/ou as Escolas do Estado esquecem que há pais que não renunciam à educação dos filhos.

Há pais que conhecem e se orgulham dos direitos que a Constituição da República Portuguesa lhes reconhece.

Não estão disponíveis para continuar a calar a sua voz, por maiores que sejam as ameaças de qualquer tipo de represália.

Queremos um país livre, onde nenhum cidadão jamais se possa sentir coagido, e onde os pais sejam considerados os primeiros educadores dos seus filhos.

 

Por este motivo, na qualidade de mais alto Magistrado da República Portuguesa, venho requerer junto de V. Exa. o seu mais alto patrocínio para a defesa dos pais que se encontram nas situações acima descritas.

 

Eu sou um desses pais.

Pela liberdade das famílias. Pelo bem dos nossos filhos.

Data:

Nome:

 

19.Jul.19

MITOS

Amado leitor, não se deixe enganar pelos media promotores da ideologia do género e da agenda LGBTQI. A ideologia de género já está na Escola — cá em Portugal — e já há vítimas desse ensino nefasto. Pais, desavisados e incrédulos, incapazes de ver para além do que o Estado permite que lhes seja dito, são arrastados por mitos que nos são incutidos todos os dias e que formatam as nossas opiniões. Um exemplo desse tipo de manipulação é o programa “E Se Fosse Consigo?”. Precisamos pesquisar e buscar informação credível fora daquilo que nos querem impor a toda a hora e a todo o instante. Aqui ficam alguns dos mitos mais promovidos pelo lobbie LGBTQI e pelo feminismo, cuja agenda política deve ter ficado clara pela forma como foi imposta, na ONU.

 

Mito 1: Portugal tem a 2ª maior taxa de gravidez adolescente da Europa.

 

Facto 1: Portugal não tem a 2.ª maior taxa de gravidez adolescente. Piores, por exemplo, estão a França, a Dinamarca, a Suécia, a Noruega, a República Checa, a Islândia, a Eslováquia, o Reino Unido (mais do dobro de Portugal), e a Hungria (o triplo). Já agora, nos EUA, o maior consumidor e exportador de educação sexual, a taxa é 4 vezes maior que a portuguesa.

 

Mito 2: Os conteúdos de educação sexual são totalmente científicos.

 

Facto 2: A biologia da reprodução, infecções sexuais (IST) e contraceptivos são matérias leccionadas há décadas. O que transmite então a educação sexual? Uma espécie de revolução sexual tipo Maio de 68, mas para crianças. Num livro divulgado em todas as escolas, propõe-se que alunos de 12 anos debatam em aula as seguintes questões: «Já fingiste um orgasmo?», «Descreve-me a tua primeira experiência sexual», «Tens fantasias sexuais?», «O que te excita sexualmente?».

 

Mais de mil escolas compraram material que propõe: masturbação solitária, em grupo, mútua. No Minho, um professor foi punido por recusar usar um livro que, entre outras coisas, propunha às crianças desenhar o corpo e as partes onde gostam de ser tocadas. No mesmo livro diz-se que as crianças precisam de conhecer «o vocabulário médico (pénis, vagina, relações sexuais), calão (f..., con..., car...)».

 

Mito 3: A Educação Sexual está cientificamente fundamentada nas ciências da educação e psicologia. Ora, os pais não são técnicos.

 

Facto 3: Os materiais de educação sexual usam abundantemente os ‘jogos de clarificação de valores’ de Rogers/Coulson e os ‘dilemas morais’ de Kohlberg, cientistas famosos. E, de facto, os pais comuns desconhecem essas teorias. Mas note-se que Rogers/Coulson afirmaram ser muito perigoso expor crianças às suas teorias. E Kohlberg concluiu das suas experiências na Cluster School que «As minhas ideias estavam erradas. O educador deve transferir valores e comportamentos, e não apenas ser um facilitador ao jeito de Sócrates ou Carl Rogers». Que aconteceu, entretanto, na Cluster School? «Esta escola serviu para gerar ladrões, mentirosos e drogados, apesar de a escola ter apenas 30 alunos e contar com 6 professores e dúzias de consultores».

 

Mito 4: A eficácia da educação sexual, na prevenção da gravidez e do contágio de doenças, certamente foi avaliada cientificamente.

 

Facto 4: Não é verdade: na educação sexual escasseia o trabalho científico. Mais de 30 anos após o lançamento da educação sexual nas escolas dos EUA, Kirby tentou uma meta-análise sobre a eficácia dos programas e encontrou apenas 23 estudos com um mínimo de qualidade. Neste momento só é certo que: 1. Nenhum modelo é consensual; 2. Continua por provar que exista um modelo de ‘sexo seguro’ que diminua a gravidez adolescente e o contágio de ISTs.

 

Mito 5: A Educação Sexual deve ser obrigatória, tal como a Matemática é obrigatória.

 

Facto 5: A Matemática é obrigatória porque é exigida pela realidade. Um engenheiro precisa do cálculo diferencial, e por isso precisa de saber derivar. Quem opta por não ter Matemática a partir do 9º ano está a optar por não ser engenheiro. Mas quem prescinde do ‘Maio de 68 para crianças’ renuncia a quê? Às convicções sexuais do professor de Educação Sexual.

 

Mito 6: Os jovens têm actividade sexual e é preciso ajudá-los a praticar sexo seguro sem o risco da gravidez ou ISTs.

 

Facto 6: Qual é a segurança do ‘sexo seguro’? A OMS declarou, em 2005 e 2007, que os contraceptivos hormonais combinados são cancerígenos nos seres humanos (grupo 1, o máximo). Onde estão os materiais sobre ‘sexo seguro’ que referem isso? Quem informa as adolescentes de que o risco de desenvolver cancro é máximo em quem toma a pílula durante 4 anos antes da primeira gravidez de termo? E quem alerta quanto à ineficácia do preservativo para evitar o contágio de praticamente todas as IST? E quem diz às crianças que a intimidade sexual é muito mais que prazer, químicos e borrachas?

 

Mas os pais que não querem filhos expostos a estes riscos nada podem fazer. A partir desta altura haverá nas escolas gabinetes a proporcionar contraceptivos aos alunos sem conhecimento dos pais.

 

— João Araújo (Professor Universitário) in Sol

 

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19.Jul.19

A NÃO DEFINIÇÃO DE GÉNERO

Em abril de 1995, quando a Conferência Preparatória para Pequim terminou, o rascunho ainda estava fortemente chaveado e a palavra ‘género’ ainda não havia sido definida. Um grupo de contacto foi agendado para se reunir no dia 15 de Maio com a finalidade de discutir uma definição. O intervalo proporcionou ao Estabelecimento de Género o tempo necessário para poderem pressionar os países pobres pró-família para que não aceitassem a definição pró-família de género como referindo-se a dois sexos.

A Coalizão pelas Mulheres e pela Família tentou influenciar os delegados para o grupo de contacto com bilhetes e informações sobre a agenda feminista radical, tal como no seguinte:

“GÉNERO: DEFINA-O OU NÃO O USE

A palavra ‘género’ tornou-se politizada. Se vier a ser usado no texto, precisa ser definida para que todos possam concordar com o que ela significa.

Algumas feministas radicais utilizam ‘género’ em oposição a ‘sexo’. ‘Sexo’ significaria a realidade biológica do homem e da mulher. ‘Género’ significaria o condicionamento social e as práticas culturais associadas com a masculinidade e a feminilidade.

Aquelas que impõem essa definição fazem isso porque acreditam que todas as diferenças óbvias entre homens e mulheres não são naturais, mas sim provocadas pela ‘socialização opressiva do género’ e que as mulheres só serão livres quando não forem mais obrigadas por suas culturas a serem femininas.

Elas acreditam que, além disso, embora o ‘sexo’ seja fixo, as pessoas poderiam escolher o seu género.

Esta definição é uma declaração de guerra contra a feminilidade a natureza da mulher. A “perspectiva de género” é essencialmente uma interpretação neomarxista da história do mundo, dentro da qual a categoria de ‘género’, não mais de classe ou raça, passa a ser vista como a categoria fundamental da repressão, porque o ‘género’ transcenderia todas as demais categorias.

Sob a perspectiva de ‘género’ tudo passa a ser visto como parte da luta pelo poder entre homens e mulheres. A ‘perspectiva de género’, neste contexto, significa a ‘revolução da classe sexual’ das mulheres contra os homens.

Antes que as nações do mundo dêem o seu consentimento para uma Plataforma de Acção, que inclua a palavra ‘género’, elas devem pedir uma clara definição do termo ou substituir o termo ‘género’ por uma linguagem não ambígua.

Coalizão pelas Mulheres e pela Família.”

Os delegados pró-família, principalmente os das nações em desenvolvimento, queriam uma definição que incluísse referências aos dois sexos. As suas preocupações eram mais práticas do que filosóficas. Queriam assegurar-se de que não haveria nenhuma aceitação da homossexualidade escondida na definição. Os Estados Unidos, o Canadá e outros defensores da Agenda do Género queriam uma definição que se referisse aos papéis socialmente construídos.

Na primeira reunião, o debate emperrou imediatamente. Os delegados das Honduras, Benim, Malta e Santa Sé expressaram as suas preocupações com a definição de ‘género enquanto papéis socialmente construídos. Mercedes Wilson, a delegada da Guatemala, fez um apelo apaixonado por uma definição de ‘género’ que mencionasse especificamente dois sexos e não incluísse qualquer referência a “papéis socialmente construídos, determinados ou atribuídos”. Ela sugeriu que as palavras ‘sexo, masculino e feminino, homem e mulher’ poderiam substituir a palavra ‘género, como havia sido feito na tradução francesa.

A presidente do grupo de contacto, a Sra. Selma Ashipala da Namíbia, decidiu assumir a tarefa de escrever uma definição, apresentada no encontro seguinte. A sua definição dizia o seguinte:

 

A Conferência Preparatória determinou que o Grupo de Contacto buscasse um consenso sobre o significado de ‘género’, conforme é comumente entendido no contexto da Plataforma de acção, para que pudesse ser relatado directamente à Conferência de Pequim.

Tendo considerado a questão minuciosamente, o Grupo de Contacto observou:

  • A palavra género tem sido empregada e entendida em seu uso ordinário e geralmente aceito em numerosas instâncias e conferências da ONU;
  • Não há sinal de que algum novo significado ou conotação do termo, diferente do uso prioritariamente aceito, esteja planeado no rascunho da Plataforma de Acção;
  • No contexto da Plataforma de Acção o significado comumente entendido da palavra género refere-se aos papéis, socialmente construídos, desempenhados por homens e mulheres na sociedade.

Consequentemente, o Grupo de Contacto concordou em reafirmar que a palavra género, tal como foi usada na Plataforma de Acção da Quarta Conferência Mundial sobre Mulheres, está destinada a ser interpretada e entendida com é em seu uso ordinário e geralmente aceito.

O Grupo de Contacto concordou que este relatório seja lido pela presidente da Conferência, como declaração da presidência, e que a declaração faça parte do relatório final da Conferência.

O estranho nesta declaração é que ela não reflecte os factos. A declaração afirma que “a palavra ‘género’ tem sido comumente empregada e entendida em seu uso normal, geralmente aceito em numerosas instâncias e conferências da ONU”. Procurando em vários dicionários, pode-se encontrar que a primeira definição de ‘género’, que é também primária, se refere à gramática e descreve as palavras como pertencentes a ‘géneros’ masculino, feminino e neutro.

A definição secundária é equivalente a ‘sexo’, significando o masculino e o feminino. A definição de “papéis socialmente construídos, passíveis de serem modificados” não se encontra em qualquer dicionário de inglês ou de outra língua estrangeira. A definição de género como “papéis socialmente construídos, passíveis de serem modificados” não é o “seu uso ordinário, geralmente aceito”. O uso poderia ser geralmente aceito entre as feministas, mas elas dificilmente seriam ordinárias. Bella Abzug, no seu discurso aos delegados sobre o assunto, admitiu que o “significado da palavra género evoluiu”.

A segunda afirmação, segundo a qual “não há sinal de que algum novo significado ou conotação do termo, diferente do uso prioritariamente aceito, esteja planeado no rascunho da Plataforma de Acção”, também não reflecte os factos. Uma diferença substancial existia entre o modo como ‘género’ foi usado no rascunho de Pequim e o seu uso noutras conferências.

Não há nenhuma evidência de que esta mudança no significado de ‘género’ tenha sido discutida ou acordada entre os delegados da Assembleia Geral da ONU ou em qualquer uma das principais conferências da organização. O Estabelecimento de Género simplesmente o impôs, e estava claramente determinado a defender o que equivalia a um golpe.

A definição oferecida na terceira secção da afirmação, segundo a qual “género se refere aos papéis socialmente construídos, desempenhados e esperados por homens e mulheres na sociedade”, representou a total capitulação à ideologia feminista de ‘género’. Alguns delegados pró-género tentaram argumentar que isso apenas se referiria a situações em que era negado emprego arbitrariamente às mulheres, como no caso, por exemplo, dos pilotos de avião. Essa argumentação está em contradição com o próprio texto da Plataforma, onde o uso da palavra ‘género’ aparece em quase todos os parágrafos. A insistência na necessidade da “incorporação de uma perspectiva de género em todo programa”, assim como as referências à “análise de género”, ao “treinamento da sensibilidade de género”, às “questões de género”, aos “aspectos de género”, etc., deixam claro que o que está em jogo é muito mais do que saber se as mulheres podem ou não trabalhar como pilotos de avião.

Os delegados do grupo de contacto, diante das vigorosas objecções da Sra. Wilson, suprimiram a terceira secção, mas aceitaram o resto das afirmações. Assim, género é agora definido “como tem sido comumente usado e entendido”, mas nenhuma definição foi dada. Considerando que o grupo de contacto foi formado porque não havia um entendimento comum, isto é, para dizer o mínimo, uma ingenuidade.

É verdade que os delegados pró-família não foram forçados a aceitar a definição que incluía “papéis socialmente construídos”. Por outro lado, as promotoras da perspectiva de género não foram forçadas a admitir que só haveria dois sexos. A não-definição permitiu que a burocracia da ONU prosseguisse com o seu projecto de impor uma “perspectiva de género” ao mundo e de continuar a definir ‘género’ como “papéis socialmente construídos”. As promotoras da Agenda de Género consideraram a não-definição uma vitória, porque já haviam inserido o conceito de “papéis de género socialmente construídos” em dois outros parágrafos dentro do imenso documento de Pequim. O parágrafo 50 [48] refere-se à “rigidez dos papéis de género socialmente atribuídos”. No parágrafo 28 [27] pode ler-se, em parte:

 “As fronteiras da divisão de género no trabalho, entre os papéis produtivos e reprodutivos, estão a ser gradualmente cruzadas, à medida em que as mulheres começam a entrar formalmente nas áreas de trabalho dominadas por homens e os homens começam a aceitar maior responsabilidade nas tarefas domésticas, incluindo o cuidado com as crianças. Entretanto, as mudanças nos papéis das mulheres têm sido maiores e muito mais rápidas do que as mudanças nos papéis dos homens. Em muitos países, as diferenças entre as realizações e as actividades de mulheres e de homens ainda não são reconhecidas como consequências de papéis de género socialmente construídos, em vez de diferenças biológicas imutáveis”.

Mais tarde, certo número de delegados afirmaram não conseguir entender como este parágrafo pôde ter sido aceito na Conferência Preparatória. Alguns acreditam que o tamanho e a complexidade do rascunho fizeram parte de uma estratégia cuidadosamente planeada. Com tantas secções controvertidas no rascunho, muitas das quais foram propositadamente redigidas para assim o serem, os promotores da Agenda de Género podiam estar relativamente confiantes de que a coalizão pró-família se concentraria nas secções de saúde sexual e reprodutiva, e seriam incapazes de montar uma oposição efectiva aos outros aspectos da Agenda de Género.

.A última sentença do parágrafo 28 [27], afirmando que “em muitos países, as diferenças entre as realizações e as actividades de mulheres e de homens ainda não são reconhecidas como consequências de papéis de género socialmente construídos, em vez de diferenças biológicas imutáveis”, é o coração da Agenda de Género. É também comprovadamente falsa.

Muitas, embora nem todas, as diferenças entre as realizações e as actividades de homens e de mulheres são causadas por diferenças biológicas imutáveis. Os homens correm mais rápido, são fisicamente mais fortes, são melhores em matemática superior e no xadrez, são mais agressivos, e não ficam grávidos, nem amamentam. Os delegados dos países do terceiro mundo consideraram a mera sugestão de que não haja diferenças entre homens e mulheres como um absurdo. A Agenda de Género começa com a premissa de que as diferenças entre homens e mulheres são construções sociais e então continua com a exigência de que a premissa seja “incorporada” a todos os programas e a todas as políticas. De acordo com a “perspectiva de género”, já que as diferenças entre as realizações e as actividades dos homens e das mulheres são artificiais, elas podem e devem ser eliminadas.

Ainda que os defensores da família tenham rejeitado a ideia de que todas as diferenças entre homens e mulheres sejam construcções sociais, eles não abraçaram o ponto de vista oposto, isto é, o de que todas as diferenças sociais e culturais entre homens e mulheres são causadas por diferenças biológicas imutáveis que, portanto, não poderiam ser modificadas. A maioria acreditava que muitos factores, incluindo a biologia, a experiência de vida como homem ou mulher, a cultura, a tradição e as decisões livres da vontade, trabalham em conjunto para criar as diferenças entre homens e mulheres.

 

A sociedade, é certo, transmite certas expectativas às crianças, mas tais expectativas dificilmente são arbitrárias, nem podem ser arbitrariamente removidas ou substituídas por outras. As meninas transformar-se-ão em mulheres que poderão engravidar. Os meninos transformar-se-ão em homens que geralmente são mais fortes. Encorajar que as meninas busquem a supremacia nas actividades que requeiram extrema força corporal, ou os meninos a engravidarem ou a cuidar de bebés, seria uma estupidez e, de facto, as sociedades nunca o fizeram. Associar o cuidado dos bebés com as mulheres está longe de ser considerado arbitrário, quando se sabe que o choro do recém-nascido causa a produção do leite materno.

A posição pró-família sustenta o que pode ser mais bem descrito como “complementaridade integral”, afirmando que homens e mulheres são inteiramente iguais em humanidade, dignidade e direitos, mas diferentes e complementares em natureza. A raça humana só existe como masculino e feminino, e as diferenças entre os sexos dão à humanidade uma profundidade e uma visão que, de outro modo, lhe faltaria. A posição pró-família não é uma defesa rígida do passado, mas um esforço fundamentado para remover aquelas coisas que artificialmente limitam as mulheres, ao mesmo tempo em que protegem o direito das mulheres de serem diferentes.

Para as feministas de género, diferente é desigual, e desigual é injusto. Ignorando as diferenças dos sexos ou, pior, considerando-as como obstáculos, declaram guerra à natureza humana, tanto à natureza da mulher, como também à natureza do homem.

 

A AGENDA DE GÉNERO

Redefinindo a Igualdade, Condensado da obra de Dale O’Leary “The Gender Agenda” 1997, Vital Issues Press, Lafayette, Lousiana

 

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19.Jul.19

FEMINISMO REALMENTE RADICAL

Engels não foi o único marxista que influenciou o pensamento feminista. O marxista italiano António Gramsci é frequentemente citado pelas feministas radicais. Gramsci, que foi preso nos anos 30 por causa das suas opiniões, acreditava que a revolução tinha falhado na Itália porque as pessoas se agarraram à sua fé religiosa. Ele acreditava que a revolução falhou em ganhar apoio popular porque as pessoas estavam presas a “ideias hegemónicas”. De acordo com Gramsci, os valores religiosos são apenas instrumentos dos capitalistas para manter os operários na linha. Esse tema foi adoptado pela socialista lésbica Christine Riddiough, que argumenta que a família é o instrumento que a “classe dominante” usa para suprimir a sexualidade feminina. Deve mencionar-se que Christine Riddiough é a presidente da Comissão Feminista de Socialistas Democratas da América [DSA Feminist Commission], um grupo bastante activo na ONU e na Conferência do Cairo. Riddiough acredita que a questão lésbica pode ser usada contra a ideia “hegemónica” da família como algo natural:

“A cultura gay/lésbica pode também ser vista como uma força subversiva, capaz desafiar a natureza hegemónica da ideia de família. Isso deve, contudo, ser feito de modo que as pessoas não percebam estamos a fazê-lo por oposição à família em si mesma. Um simples slogan no sentido de ‘esmagar a família’ pode ser visto como uma ameaça, não apenas para a classe dominante, mas também para as pessoas da classe operária. Para que a natureza subversiva da cultura gay seja usada com eficiência, temos que apresentar modos alternativos de compreender as relações humanas”.

Os autores que tentam explicar o actual estado do pensamento feminista enfrentam uma tarefa difícil. A teoria feminista é essencialmente instável. Este facto pode representar um desafio para os estudiosos do feminismo, mas não é um problema para as teóricas feministas. As feministas radicais de género acreditam que se os homens fizeram a história, a ciência e a religião para oprimir as mulheres, então as mulheres precisarão refazê-las para alcançar a libertação. Para elas, portanto, a questão não é se “mulher, homem, maternidade, paternidade, masculinidade, feminilidade, heterossexualidade e casamento são realmente papéis de género socialmente construídos”, mas se, em vez disso, “chamar a estas coisas papéis de género socialmente construídos serve os nossos objectivos políticos”.

As feministas académicas abraçaram a teoria pós-moderna desconstrutiva, que afirma que a linguagem consiste apenas em palavras que impõem uma estrutura arbitrária sobre objectos individuais, mas não têm nenhum significado ou relação intrínseca. As palavras são desconstruídas quando se prova que uma palavra serve a um propósito político, dando poder a um grupo sobre outro. De acordo com a teoria desconstrutiva, uma vez que a palavra seja despojada de seu poder, as pessoas são libertadas. A realidade atrás das palavras é ignorada. No fim, tudo pode ser desconstruído.

Judith Butler, em seu livro “O Problema do Género: Feminismo e Subversão da Identidade”, sugere que se o género é socialmente construído, talvez o sexo também seja socialmente construído:

“A distinção entre sexo e género serve ao argumento segundo o qual o género é culturalmente construído. Portanto, o género não seria nem o resultado causal do sexo nem seria aparentemente fixo como o sexo. Se o género são os significados culturais que o corpo sexuado assume, então não se pode dizer absolutamente que o género seja consequência do sexo.

Além disso, mesmo que, em sua morfologia e constituição, os sexos pareçam ser binários (algo que questionaremos mais adiante), não há razão para presumir que os géneros devam também continuar a ser dois. Quando o status construído do género é teorizado como radicalmente independente do sexo, o género torna-se uma artificialidade livremente flutuante. A consequência é que homem e masculino podem facilmente significar tanto um corpo feminino como um corpo masculino, e mulher e feminino podem significar tanto um corpo masculino como um corpo feminino.

Se o carácter imutável do sexo for contestado, talvez esta construção chamada ‘sexo’ seja tão culturalmente construída como ‘gênero’; na verdade, talvez ela já tivesse sido sempre ‘género’, com a consequência de que a distinção entre sexo e género termine por não ser distinção alguma.”

Em outras palavras, de acordo com Butler, dividir a humanidade em dois sexos é tão arbitrário quanto atribuir às pessoas papéis de género, o que não deveria ser feito.

Lendo o livro de Butler e outros trabalhos desta área, uma possível conclusão seria que toda esta teoria desconstrutiva pós-modernista não passaria de uma fachada para promover a ideia de que a homossexualidade seria tão natural quanto a heterossexualidade, já que “natural” seria uma ideia hegemónica criada pela classe dominante para oprimir as restantes. Peter Beckman e Francine D’Amico propõem a ideia de que as etiquetas mulheres e homens criam seres fictícios e perpetuam desigualdades:

“A concepção de género-como-poder permite-nos dar mais um passo: sugerir que o nosso modo de pensar e falar sobre os humanos é baseado no poder. Os próprios termos ‘mulheres’ e ‘homens’ são um reflexo desse poder. Etiquetar os indivíduos como ‘mulheres’ (ou ‘homens’) é o exercício do poder, pois o rótulo cria para os seres humanos um conjunto de expectativas sobre o que eles são, o que não são, e que variedade de escolha está disponível para eles. O género-como-poder argumenta que as mulheres e os homens se fazem, não nascem. São criados por aquelas etiquetas. Etiquetas que abrem algumas portas e fecham outras. Etiquetar cria um ser fictício [...] e perpetua desigualdades, porque quando os humanos carregam uma etiqueta, têm mais direitos e privilégios do que aqueles que carregam outra etiqueta”.

As feministas radicais e de género começaram pela análise marxista, mas moveram-se numa direcção completamente diferente dos marxistas económicos e políticos. Elas não trabalham para uma revolução comunista, mas para uma revolução cultural. Querem derrubar a família, não o estado. Os seus inimigos não são os capitalistas burgueses, mas os “puritanos”, os “fundamentalistas”, a “direita religiosa” e a “Santa Sé”. Promovem a vitimização, a criação de novas classes de “oprimidos”. Declaram-se defensoras da justiça e da equidade, mas o seu estilo de justiça e equidade só se aplica aos “oprimidos”. Ademais, quando essas neo-marxistas alcançam posições de poder, raramente respeitam os direitos daquelas que discordam delas.

Numerosas vozes se têm levantado contra o espírito totalitário da esquerda neo-marxista politicamente correcta. A compaixão não é o que motiva a esquerda, que esquece o sofrimento humano que as suas gerações causaram. O que motiva a esquerda é a Ideia totalitária: a Ideia que é mais importante do que a própria realidade. O que motiva a esquerda é a Ideia do futuro no qual tudo estará mudado e tudo terá sido transcendido. O futuro no qual o presente já estaria aniquilado, e no qual a sua realidade não mais existiria.

 

A AGENDA DE GÉNERO

Redefinindo a Igualdade, Condensado da obra de Dale O’Leary “The Gender Agenda” 1997, Vital Issues Press, Lafayette, Lousiana

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19.Jul.19

FEMINISMO RADICAL

Existe um abismo profundo entre a percepção pública do feminismo e a realidade da teoria feminista. Eu defrontei-me pessoalmente com este abismo quando, há alguns anos, comecei a pesquisar o feminismo. Li todas as autoras feministas bem publicadas, mas o que elas diziam não fazia sentido. Faltava uma peça. Decidi então compartilhar o meu problema com uma amiga, professora de literatura russa na Universidade de Rhode Island. Ela simplesmente se riu e disse-me: “Dale, elas são todas marxistas. Toda a história é a história da luta de classes [...] o opressor contra o oprimido”.

Isto tinha estado bem ali, mas eu não havia visto. Olhando para trás, através dos textos feministas, eu estava espantada com a quantidade dos que citavam Marx e o seu confidente Frederick Engels e, em especial, o livro de Engels, “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”. Eu não havia entendido o quanto isto pudesse ser significativo, mesmo quando lia Kate Millett elogiava as teorias de Engels na sua “Política Sexual”:

 

“O grande valor da contribuição de Engels para a revolução sexual reside na sua análise do casamento patriarcal e da família. Na submissão do feminino ao masculino, Engels, assim como também Marx, compreenderam o protótipo histórico e conceitual de todos os subsequentes sistemas de poder, de todas as relações económicas opressoras e o próprio facto da opressão em si mesmo”.

 

Até então eu tinha considerado o Marxismo como uma teoria económica já morta. Mas a minha limitada exposição a Marx não havia incluído a sua teoria social.

Saber que as feministas seguiam Marx, com certas revisões, é claro, ainda não explicava a Agenda de Género. Felizmente, uma boa amiga e activista pró-família, Michael Schwartz, sugeriu-me que, se eu quisesse entender as feministas, deveria ler o livro de Engels, “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”, e o livro de Shulamith Firestone, “A Dialética do Sexo”. Nestes livros pude entender como a dialética de Marx se havia convertido na dialética do sexo. À medida que eu lia Engels e Firestone, entendia como a letra casava com a música.

A Agenda de Género tentou construir-se sobre a boa vontade gerada para com o feminismo nos anos 60, quando o movimento das mulheres promoveu um “feminismo liberal” ou, nas palavras de Christina Hoff Sommers, um “feminismo de equidade”. O feminismo liberal sustenta que as mulheres devem ter, na sociedade, tanta liberdade quanto os homens e insiste que o indivíduo deveria ser considerado separadamente do grupo. O apoio ao feminismo liberal era tão amplo que quase toda a legislação que exigia colocar fora da lei a discriminação sexual foi aprovada sem nenhuma oposição séria.

Bem ao contrário das acusações da esquerda feminista, ninguém deseja retroceder nestas conquistas. Não há nenhum retrocesso contra o direito das mulheres ao voto, ao exercício da profissão, à igual educação, ou à igual oportunidade no emprego. Os que promovem a família, entretanto, reconhecem as limitações do feminismo liberal, particularmente a sua incapacidade de considerar as diferenças reais e óbvias entre os homens e as mulheres, e de reconhecer que muitas das leis “discriminatórias” entre os homens e as mulheres não são tentativas de oprimir as mulheres, mas tentativas de compensar as diferenças naturais e proteger as mulheres. Quando estas leis são revogadas, as mulheres frequentemente sofrem como resultado do assim chamado tratamento igualitário. O feminismo liberal, com a sua ênfase no individual, ignora a importância da família como unidade social.

Os que promovem a família acreditam que é possível estar plenamente comprometido com a igual dignidade dos direitos dos homens e das mulheres, sem negar as diferenças entre os sexos, a importância da família e recorrer ao gigantismo governamental. A influência do feminismo liberal declinou em parte porque alcançou seus objectivos, em parte porque suas limitações se tornaram evidentes, mas primariamente porque foi suplantado por um feminismo radical que sustentou que o liberal não havia ido suficientemente longe.

O assim chamado retrocesso contra o feminismo não é dirigido contra o feminismo liberal dos anos sessenta, mas sim contra as novas correntes do feminismo, que repudiaram os valores liberais em troca de uma ideologia revolucionária. As feministas radicais repudiaram o feminismo liberal porque este não havia reconhecido “que é necessário mudar toda a estrutura social existente para alcançar a libertação da mulher”. Este repúdio ao feminismo liberal aconteceu no fim dos anos sessenta.

As mulheres que se uniram aos movimentos revolucionários haviam sido expostas às ideologias revolucionárias. A batalha contra a opressão não havia sido muito libertadora para estas mulheres. Os seus irmãos revolucionários tratavam mal as mulheres. Relegavam-nas a cozinhar, a escrever à máquina e a realizar serviços sexuais, ao mesmo tempo em que recusavam permitir-lhes expressar as suas opiniões ou exercer uma liderança dentro do movimento. As mulheres radicais rebelaram-se contra este tratamento equivocado e, ao fazê-lo, buscaram a sua justificativa na própria ideologia revolucionária.

Elas encontraram exatamente o que precisavam na filosofia de Karl Marx e Frederick Engels, particularmente no livro de Engels, “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”. Pode-se imaginar o seu espanto quando descobriram que Marx e Engels haviam ensinado que as mulheres haviam sido a primeira propriedade privada e que a opressão das mulheres pelos homens havia sido a primeira opressão de classes. Estas são palavras de Engels:

“Num antigo manuscrito não publicado escrito por Marx e por mim mesmo, em 1846, eu encontrei estas palavras:

‘A primeira divisão do trabalho é aquela entre o homem e a mulher para a propagação da prole’.

E hoje eu posso acrescentar:

‘A primeira luta de classes que aparece na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher no casamento monogâmico, e a primeira opressão de classe coincide com a submissão do sexo feminino pelo masculino”.

A proclamação de Marx e Engels de que toda a história é a história da luta de classes é bem conhecida. O que é menos conhecido é a sua alegação de que a primeira luta de classes aconteceu na família. De acordo com a teoria marxista, nas épocas primitivas da existência humana, as pessoas viviam pacificamente em sociedades sem classes onde a propriedade privada era desconhecida e a opressão inexistente. A família era uma instituição inexistente e os homens ainda não haviam entendido a interligação existente entre o acto sexual e o nascimento de uma criança. Tudo isto teria sido mudado pelo que equivale à versão marxista do pecado original: os homens descobriram ou insistiram no reconhecimento da sua paternidade, escravizaram as mulheres no casamento, criaram a família patriarcal e estabeleceram a propriedade privada. A luta de classes e a opressão seguiram-se.

Marx e Engels sustentam que, para alcançar a libertação da perpétua luta de classes, os meios de produção e de reprodução devem ser removidos das mãos dos opressores e devolvidos aos trabalhadores. Isto exigiria não apenas a abolição da propriedade privada mas, também, a destruição da família encabeçada por um pai; que todas as mulheres fossem forçadas a trabalhar fora de casa; creches gratuitas e a colectivização das tarefas domésticas; divórcio fácil, liberalização sexual e a aceitação da ilegitimidade; e, finalmente, a destruição da religião, porque a religião apoia a família.

A primeira condição para a libertação da mulher seria trazer todo o sexo feminino de volta para a indústria pública, e que isto, por sua vez, exigisse a abolição da família monogâmica como unidade económica da sociedade. Com a transferência dos meios de produção para a propriedade colectiva, a família individual cessaria de ser a unidade económica da sociedade. O cuidado e a educação das crianças passaria a ser uma questão pública e a sociedade se interessaria de modo igual por todas as crianças, fossem elas legítimas ou não.

Depois da Revolução Russa os comunistas tentaram inicialmente algumas destas políticas, mas detiveram-se quando perceberam o desastre causado por um ataque frontal contra a família. O sistema comunista, em vez disso, focou-se na socialização da indústria e no controle do aparato político.

As mulheres radicais dos anos sessenta, no entanto, convenceram-se que as revoluções marxistas anteriores haviam falhado exactamente porque não haviam conseguido atingir a família. Se a análise marxista estava correcta, a família era a causa da opressão e devia ser eliminada. Engels havia escrito:

“A família individual moderna está fundamentada na escravidão aberta ou oculta da mulher”.

Ele dizia que a mulher casada

“difere da cortesã ordinária porque a cortesã vende o seu corpo em parte, como um trabalhador assalariado, mas a casada o vende de uma só vez, para sempre, como um escravo”.

Mais tarde, no seu livro “A Dialética do Sexo”, Shulamith Firestone mostrou como o Marxismo poderia ser transformado em feminismo radical:

“Portanto, assim como para garantir a eliminação das classes económicas se exige a revolta da classe inferior (o proletariado) e a tomada dos meios de produção, assim também, para garantir a eliminação das classes sexuais, exige-se a revolta da classe inferior (as mulheres) e a tomada do controle da reprodução. Isto é, exige-se a restituição, para a mulher, da propriedade dos seus próprios corpos e o controle feminino da sexualidade humana. E assim como o objectivo final da revolução socialista não era apenas a eliminação do privilégio da classe económica, mas a própria distinção da classe económica, assim também o objectivo final da revolução feminina deve ser, diversamente do objectivo do primeiro movimento feminista, não apenas a eliminação do privilégio masculino, mas da própria distinção sexual”.

Aqui está o fundamento do feminismo radical e o coração da Agenda de Género: a eliminação da distinção sexual e o controle da reprodução. As feministas radicais concordam com os marxistas que o objectivo é uma sociedade sem classes, mas a revolução feminista radical quer abolir também as classes sexuais.

Deve-se notar que existem diversas subdivisões das feministas de esquerda. As ‘feministas marxistas’ acreditam que a revolução marxista deva preceder a revolução feminista. As ‘feministas socialistas’ acreditam que as revoluções marxistas e feministas devam dar-se simultaneamente, e as ‘feministas radicais’ acreditam que a revolução feminista deva vir primeiro.

O primeiro objectivo da revolução deveria ser a libertação da mulher da escravidão da maternidade. Shulamith Firestone argumenta que se as mulheres simplesmente se recusassem a ter filhos, os homens teriam que inventar uma solução tecnológica:

 

“A reprodução das espécies por um sexo em benefício de ambos seria substituída (pelo menos pela opção da) reprodução artificial; os filhos nasceriam igualmente para ambos os sexos, ou independentemente de que alguém se preocupasse com eles”.

 

As feministas radicais mais moderadas, se isto não for um paradoxo, trocam a revolução biotecnológica pela exigência de um absoluto “controlo reprodutivo” feminino, que incluiria o aborto a pedido durante toda a gravidez e o livre e fácil acesso a todas as formas de contracepção e tecnologias reprodutivas.

Firestone sempre reconheceu que estava a atacar a “realidade biológica”:

 

“Diversamente das classes económicas, as classes sexuais têm a sua origem directamente numa realidade biológica: os homens e as mulheres são criados distintos, e não igualmente privilegiados. As diferenças reprodutivas naturais entre os sexos conduziu directamente à primeira divisão do trabalho, com base no sexo, e esta está na origem de todas as divisões posteriores em classes económicas e culturais”.

 

Para ela, entretanto, isto não constitui um problema. Se a “natureza” impede a revolução, ela simplesmente ignora a “natureza”:

“A natureza não é necessariamente um valor humano. A humanidade já começou a superar a natureza; não podemos mais justificar a manutenção de um sistema discriminatório de classes sexuais fundamentadas na sua origem natural”.

Firestone exige também uma liberdade sexual absoluta. A família, segundo ela, está baseada na restrição da sexualidade aos parceiros casados. Portanto, a eliminação da família será acompanhada da libertação da sexualidade de quaisquer restrições em relação ao número, sexo, idade, relacionamento biológico ou estado marital dos participantes. Ela exige uma “reversão a uma pan-sexualidade desobstruída".

Para entender a relação entre feminismo e lesbianismo, é necessário entender que há três teorias sobre a origem da orientação homossexual e lésbica: a inata, a polimórfica e a traumática.

Segundo a teoria inata, as pessoas nascem homossexuais ou heterossexuais, e não há nada que possa ser feito sobre isto. A homossexualidade é, portanto, natural e igual à heterossexualidade.

Segundo a teoria polimórfica, os seres humanos nascem sem nenhuma orientação sexual e são capazes de ser atraídos por ambos os sexos. O sexo de cada parceiro é irrelevante. As pessoas que sustentam este ponto de vista acreditam que as categorias da homossexualidade, heterossexualidade e bissexualidade deveriam ser abandonadas, de tal maneira que os seres humanos possam reverter a uma “sexualidade natural polimorficamente pervertida”.

Segundo a teoria traumática, a homossexualidade e o lesbianismo são causados por traumas psicológicos durante a infância, pela rejeição do pai do mesmo sexo, por abusos sexuais ou por uma combinação de factores. A orientação homossexual e lésbica é vista como semelhante à dependência às drogas ou ao alcoolismo.

Quando promovem os direitos gays, as feministas tendem a argumentar que o lesbianismo é inato. Mas quando estão apenas entre elas, acreditam que, embora a perversidade polimórfica seja o objectivo final, a situação actual exige que as mulheres adoptem o lesbianismo como “meio de combater a ideologia heterossexual que perpetua a supremacia machista”.

Tem havido muito debate sobre a influência das lésbicas no movimento feminista. Há quem sustente que elas dominam o movimento. Discute-se também se as lésbicas são naturalmente atraídas para o activismo feminista, ou se as mulheres envolvidas no feminismo são recrutadas para serem experimentadas na sexualidade lésbica. Em todo caso, o movimento feminista está fortemente comprometido com os direitos lésbicos, e a teoria feminista é utilizada para defender o lesbianismo.

Firestone também defende a total libertação das crianças e a virtual abolição da infância:

“Devemos incluir a opressão das crianças em qualquer programa feminista revolucionário [...] Nossa etapa final deve ser a eliminação das próprias condições da feminilidade e da infância. O tabu do incesto hoje é necessário somente para preservar a família; então, se nós nos desfizermos da família, iremos de facto desfazer-nos das repressões que moldam a sexualidade em formas específicas”.

 

Firestone não acredita que haja algo errado com o incesto e as relações sexuais com menores:

“Os tabus sexuais com as relações homossexuais ou entre adultos e menores irão desaparecer, assim como as amizades não sexuais [...] todas as relações próximas irão incluir o físico”.

A autora acredita ainda que a libertação sexual absoluta é a chave para a libertação política e económica:

“Se a repressão sexual precoce é o mecanismo base pelo qual são produzidas as estruturas de carácter que sustentam a escravidão política, ideológica e económica, o fim do tabu do incesto, através da abolição da família, poderá ter efeitos profundos. A sexualidade poderá ser libertada da sua camisa de força para erotizar toda a nossa cultura, modificando a sua própria definição”.

Firestone, de facto, acredita que, uma vez que o tabu do incesto tenha sido eliminado, não haverá nada de errado em uma criança ter relações sexuais com a sua própria mãe genética.

As ideias de Firestone são tão extremas que é fácil entender por que as feministas, muitas das quais são profundamente influenciadas por suas teorias, são tão cuidadosas em não a colocar como porta-voz do seu movimento. Elas simplesmente reconheceram que Firestone deve ser embalada num pacote de aparência mais aceitável.

 

A AGENDA DE GÉNERO

Redefinindo a Igualdade, Condensado da obra de Dale O’Leary “The Gender Agenda” 1997, Vital Issues Press, Lafayette, Lousiana

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19.Jul.19

RE-IMAGINANDO O GÉNERO

Para aumentar a controvérsia, um membro de uma delegação governamental, que havia considerado o debate sobre a definição de género como exagerado, comentou o assunto com a baby-sitter da família. A baby-sitter estava justamente a fazer um curso no Hunter College intitulado “Re-imaginando o Género”. Ela explicou ao seu patrão que ‘género’ não mais significava ‘sexo’, mas referia-se a um papel socialmente construído.

A instrutora do curso, Lorna Smedman, havia redigido a seguinte introdução para os seus alunos:

“Neste curso vamos ler vários autores modernistas e pós modernistas e buscar compreender como os pensadores do século vinte re-imaginaram o conceito de género. O género é uma “construcção social” ou o produto de um “sexo biológico”? O que estaria envolvido na transgressão das categorias binárias mulher e homem, feminino e masculino, heterossexual e homossexual, natural e não-natural?”

 

Os representantes dos países conservadores não estavam interessados em voltar para casa com um documento que “transgredia as categorias binárias”, ou que abrisse a questão da homossexualidade.

Entre os materiais fotocopiados do curso havia um artigo, escrito por Adrianne Rich, intitulado “Heterossexualidade Compulsória e Existência Lésbica”, que incluía as seguintes citações:

“A heterossexualidade, assim como a maternidade, necessita ser reconhecida e estudada como uma instituição política. Num mundo de genuína igualdade, onde os homens fossem não-opressivos e educados, todos seriam bissexuais”.

Um artigo escrito por Lucy Gilbert e Paula Webster, “Os Perigos da Feminilidade”, sugeria que definir ‘género’ como “construcção social” significaria que o masculino e o feminino seriam não-naturais.

Particularmente problemático era um artigo escrito por Anne Falsto-Sterling, intitulado “Os Cinco Sexos: Por que Macho e Fêmea não são Suficientes”. Este artigo era a origem das ideias defendidas por Marta Llamas. O interesse da Sra. Falsto-Sterling em acrescentar sexos extras não parecia estar relacionado com uma preocupação sincera pelo pequeno número de indivíduos que sofrem destas anormalidades, mas com um desejo de desafiar crenças tradicionais.

Os promotores do género insistiam que a palavra havia sido aceita, tanto pela ONU como pela literatura académica, e nunca havia sido questionada. Os que a questionavam sugeriram que, se nunca o havia sido, talvez se devesse ao facto de que ninguém tinha tido conhecimento de que havia sido inventada uma nova definição.

Quando os Estados Unidos recusaram uma definição de género que incluísse termos referentes aos dois sexos, os delegados começaram a especular as possíveis razões da atitude. Marta Lorena Casco, como presidente da delegação hondurenha, exigiu dos funcionários da ONU uma definição de ‘género’. Recebeu, como resposta, que:

“Género não tem definição, e não necessita de a ter”.

 

O ‘género’ não foi a única fonte de contendas na Conferência. Quase todos os parágrafos geraram debate. Apesar de que mais de uma centena de novos parágrafos haviam sido adicionados, os que foram apresentados por delegados pró-família haviam sido misteriosamente omitidos do registo impresso dos procedimentos.

A Coalizão apoiou as demandas por uma clara definição de género. Os delegados pró-família perceberam que tudo o que era necessário seria definir claramente ‘género’ como referindo-se a “masculino e feminino, os dois sexos da pessoa humana”. Mas, quando Marta Lorena Casco, a delegada de Honduras, fez uma requisição formal de que a palavra ‘género’ fosse chaveada em todo o documento, a presidente da Conferência, Irene Freidenschlus, da Áustria, numa decisão sem precedentes, recusou-se.

Mas em seguida ficou evidente que a controvérsia não poderia ser finalizada, e Freidenschlus concordou em formar um grupo de contacto, que se reuniria de 15 de Maio a 15 de Junho, para discutir uma definição de género.

O “Boletim de Negociações da Terra” [“Earth Negotiations Bulletin”] comunicou que os Estados Unidos não estavam interessados em que ‘género’ fosse claramente definido. Conforme a afirmação de um delegado sénior americano, o “resultado provável seria a introdução de uma ‘imprecisão positiva’ no texto”.

Um terço do texto ainda estava entre chaves, e nenhuma decisão havia sido tomada sobre a questão do ‘género’. Olhando para trás, as forças pró-família entenderam que este havia sido o ponto alto da sua influência. Mas, por trás do cenário, dinheiro e poder estavam a ser utilizados para assegurar o triunfo da Agenda de Género.

 

A AGENDA DE GÉNERO

Redefinindo a Igualdade, Condensado da obra de Dale O’Leary “The Gender Agenda” 1997, Vital Issues Press, Lafayette, Lousiana

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19.Jul.19

O MUNDO SEGUNDO BELLA ABZUG

Ainda que a media se concentre na Conferência, é na Conferência Preparatória que o verdadeiro trabalho é realizado. Idealmente, as equipes das Nações Unidas gostariam de ver todos os problemas controvertidos solucionados antes que as câmaras sejam ligadas.

Quando a Conferência Preparatória para Pequim se reuniu, em Março de 1995, em Nova Iorque, o rascunho da Plataforma de Acção já tinha sofrido numerosas alterações. Supunha-se que os delegados deveriam ter recebido as cópias da mais nova versão da Plataforma no dia 1 de Fevereiro, mas o texto não-oficial não se tornou disponível antes do dia 17. Os participantes só receberam o texto oficial, de 70 páginas e 246 parágrafos, no dia 27 de Fevereiro, dezasseis dias antes da data para a qual estava agendada a Conferência Preparatória. Os que haviam tentado preparar-se com antecedência, estudando os rascunhos anteriores, descobriram que todo o seu trabalho havia sido em vão. O texto havia sido radicalmente alterado e totalmente renumerado. Os representantes dos governos pró-família e as ONGs pró-família encontraram muitas áreas de preocupação. Mesmo depois da Conferência Preparatória já haver começado, eles ainda estavam descobrindo potenciais bombas de efeito retardado dentro do texto. Mais preocupante ainda era o que não estava lá. O rascunho da Plataforma ignorava as necessidades das mulheres que trabalham no lar e não tinha nada de positivo a dizer sobre casamento, vida familiar, maternidade, direitos paternos, ou religião. Para complicar ainda mais o processo, as traduções para o espanhol e o francês ocultavam a agenda anti Família.

Ademais, muitos dos delegados não tinham familiaridade com as implicações ideológicas das palavras inglesas. Os leitores de língua não inglesa tinham que se valer dos dicionários, os quais raramente apresentavam as novas definições inventadas pelas feministas desconstrucionistas pós-modernas, se é que alguma vez chegaram a fazê-lo. Marta Lorena Casco, representante de Honduras, queixou-se de uma “agenda oculta” e acusou o quadro das Nações Unidas de “manipular eufemismos para rascunhar um texto para o qual somente eles tinham o único dicionário”.

Muitos dos delegados e membros das ONGs chegaram exaustos a Nova Iorque. Eles haviam passado o mês de Janeiro em Nova Iorque, na Conferência Preparatória da Cúpula Social, o mês de Fevereiro em Copenhaga na própria Cúpula Social, e agora estavam voltando a Nova Iorque, para a Conferência preparatória de Pequim. Alguns haviam voado directamente de Copenhaga para Nova Iorque, sem regressar a casa para um descanso. Já a WEDO e as suas aliadas vinham plenamente preparadas e prontas para se opor a todas as emendas pró-família e impor a sua própria agenda.

Somente poucos grupos pró-família possuíam recursos para enviar representantes para todo o encontro, que se arrastou por quase quatro semanas. Alguns vinham para períodos mais curtos de tempo. Um número maior de pessoas tinha intenção de vir, mas, no último minuto, grande número de grupos pró-família, que se haviam inscrito para receberem o status de ONG, tiveram inexplicavelmente negado o seu credenciamento.

Os participantes pró-família, na Conferência Preparatória para Pequim, renovaram as amizades feitas no Cairo e organizaram-se a si mesmos como a Coalizão pela Mulher e pela Família. Para a Coalizão, a ameaça imediata era a linguagem sobre a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos e os direitos dos pais. Poucos estavam preocupados com o uso repetido da palavra ‘género’ no rascunho, ou com as constantes referências à “incorporação da perspectiva de género”, “análise de género”, “aspectos de género”, “conceito de género”, “sensibilidade de género”, “papéis de género”, etc.. A maioria dos delegados e das ONGs pró-família, na verdade, supunha que “género” era um substituto mais elegante para “sexo”.

A preocupação, porém, foi suficiente para que a Coalizão preparasse e distribuísse um bilhete, no qual podia ser lido, entre outras coisas:

“O que é ‘perspectiva de género’?

‘Perspectiva de género’ pode ser um termo estranho para alguns delegados. Não significa ‘compromisso para com os direitos da mulher’, nem oposição à discriminação por questão de sexo’.

Significa enxergar tudo como uma batalha de poder entre homens e mulheres. Cada problema é analisado em termos de como as diferenças entre homens e mulheres são a causa do problema.

As diferenças estatísticas entre homens e mulheres são vistas como a prova de um complô contra as mulheres. Todo o sofrimento das mulheres é, de alguma maneira, culpa dos homens”.

Em resposta às questões sobre a definição de género, a coordenação da Conferência divulgou a seguinte definição:

“Género refere-se às relações entre homens e mulheres com base em papéis socialmente definidos que são atribuídos a um ou outro sexo”.

 

Em vez de resolver o problema, esta definição só serviu para criar mais confusão. O delegado de Malta expressou reservas sobre a definição proposta. Como advogado, ele não conseguia compreender como é que leis poderiam ser escritas sobre relacionamentos com base em papéis socialmente definidos. As leis, insistia ele, devem referir-se a seres humanos masculinos e femininos. Diversos delegados começaram a colocar entre chaves a palavra género cada vez que ela aparecia no texto.

A reacção à sugestão de que ‘género’ fosse chaveado {…} foi rápida e beligerante. Ela revelou que aqueles que estavam preocupados com as implicações ideológicas da palavra género tinham, de facto, subestimado a importância deste termo. No dia 3 de Abril, Bella Abzug condenou as tentativas de pôr a palavra entre chaves até que se pudesse chegar a um consenso sobre a sua definição:

 

“Nós não seremos forçadas a retroceder para o conceito de que ‘a biologia é o destino’ que procura definir, confinar e reduzir as mulheres às suas características sexuais físicas”.

 

Os delegados da Conferência preparatória estavam chocados pela acusação de que definir género como sinónimo de sexo fosse uma tentativa de confinar ou reduzir as mulheres às suas características físicas sexuais. Bella insistia que a definição “feminista” de género era universalmente compreendida e aceita, o que certamente não era o caso:

“O conceito de género está incorporado no discurso contemporâneo social, político e legal [...] O significado da palavra género evoluiu e diferenciou-se da palavra sexo para expressar a realidade segundo a qual o status e os papéis das mulheres e dos homens são socialmente construídos e passíveis de modificação”.

Ainda de acordo com Bella,

“a introdução da perspectiva de género em todos os aspectos das actividades da ONU é dos principais compromissos aprovado pelas conferências anteriores e deve ser reafirmado e fortalecido nesta Quarta Conferência Mundial sobre as Mulheres”.

 

Os delegados, muitos dos quais haviam estado presentes a conferências anteriores da ONU, começaram a revirar os documentos da organização em busca de alguma evidência de que eles haveriam aprovado uma definição de género como “papéis socialmente construídos que pudessem ser modificados”.

Encontraram a Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948, que se havia referido a ‘sexo’, mas não a ‘género’. Nas Estratégias para o Avanço, de 1985, em Nairobi, utilizou-se a palavra ‘sexo’ e o texto referia-se às “perspectivas das mulheres”. Em 1993, a Declaração sobre a Eliminação da Violência contra as Mulheres havia utilizado a palavra género diversas vezes, mas não havia nenhuma sugestão de uma nova definição. Nem mesmo os participantes no Cairo tinham tido consciência de qualquer nova definição.

Ao usar da palavra, a Sra. Abzug insistiu que a sua definição de género era inegociável:

“A tentativa corrente de muitos Estados Membros de expurgar a palavra ‘género’ da Plataforma de Acção e substituí-la pela palavra ‘sexo’ é uma tentativa insultuosa e degradante de reverter os avanços realizados pelas mulheres. Nós não nos voltaremos a subordinar a papéis inferiores”.

Os delegados não estavam interessados em empurrar as mulheres de volta para “papéis subordinados inferiores”. Eles só queriam entender o que é que a palavra género significava antes de aprovar um texto em que a palavra aparecia mais de duzentas vezes.

 

A AGENDA DE GÉNERO

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19.Jul.19

CONSPIRAÇÃO EM GLEN COVE

 

Como preparação para a Conferência de Pequim, a WEDO promoveu um encontro de três dias de Estratégias Globais das Mulheres, realizado de 30 de Novembro a 2 de Dezembro de 1994, em Glen Cove, Nova York.

Dez por cento das mulheres que participaram do encontro de Glen Cove eram empregadas da ONU, incluindo Gertrude Mongella, a secretária geral da Conferência de Pequim, e Kristen Timothy, a encarregada do credenciamento das ONGs.

Gertrude Mongella, da Tanzânia, possuía uma longa história de vínculos com a WEDO. Ela era membro do seu Comité Internacional de Acção Política.

A participação de Kristen Timothy levantou um certo número de questões, uma vez que um grande número de grupos pró-família e pró-vida, alguns dos quais já haviam participado em conferências anteriores da ONU, tiveram o seu status de Organização Não Governamental para a Conferência de Pequim inicialmente negado pelo seu escritório.

Já que o propósito do encontro de Glen Cove foi o planeamento de uma estratégia para influenciar o resultado das Conferências da ONU e atacar as políticas apoiadas pelas nações membros, a presença de tantos empregados pagos da ONU, mesmo que apenas como observadores, constitui, no mínimo, um sério conflito de interesses para o quadro da ONU. Isto também dá crédito às acusações de que a burocracia da ONU é muito mais sensível às preocupações das ONGs feministas do que à protecção dos direitos e interesses das nações membros.

Após o encontro, o relatório elaborado pela WEDO rotulou os grupos considerados obstáculos para a sua agenda:

 

“Monitore e oponha-se à internacionalização dos movimentos anti-aborto e outros fundamentalistas [...] Combata a Santa Sé e os movimentos fundamentalistas [...] Combata o fundamentalismo religioso extremista”.

 

Para as feministas o termo fundamentalista não se restringe aos extremistas muçulmanos ou aos protestantes que sustentam a inerrância bíblica. Nos painéis de discussão os palestrantes rotularam católicos, cristãos evangélicos, pró-vidas e quaisquer pessoas que acreditassem na complementaridade dos homens e das mulheres, ou que sustentassem a maternidade como uma vocação especial para as mulheres, de “fundamentalistas”. Dentro desta definição de fundamentalismo a maioria dos Estados Membros da ONU poderia ser classificada como “fundamentalista”. Mais ainda, também a Declaração Universal de Direitos Humanos, que defende a liberdade de religião, a maternidade e a família, teria que ser considerada fundamentalista.

Além dos quadros da ONU e dos membros de várias organizações feministas, a lista dos participantes em Glen Cove incluía representantes da Fundação Ford, da Fundação MacArthur, da IPPF, e da CNN.

Outros programas preocupantes promovidos em Glen Cove incluíam o aborto seguro “como um método básico de controlo da fertilidade e como parte essencial dos serviços de saúde reprodutiva”, o reconhecimento da “orientação sexual como um direito humano fundamental dentro do contexto de uma definição ampliada da família” e a educação dos homens e das mulheres para a transformação dos papéis de género.

Se a presença de Mongella no Encontro de Estratégias Globais das Mulheres constituiu um conflito de interesses, ela evidenciou um pior julgamento quando apareceu num vídeo criado para promover o Fórum das ONGs. O vídeo, intitulado “Quebrando as Barreiras”, atacava as principais religiões mundiais como anti-mulheres, promovia a interpretação feminista radical da história, defendia as bruxas e o culto às deusas e lembrava ao espectador que o filósofo inglês John Stuart Mill, que se havia engajado activamente na defesa dos direitos das mulheres, no século dezanove, considerava o casamento uma escola de despotismo. As mulheres que acreditavam que a religião havia promovido o bem-estar das mulheres não foram incluídas entre as entrevistadas.

Embora o vídeo tivesse sido produzido por uma empresa independente, sem o financiamento da ONU, a presença de Mongella e o uso do símbolo oficial da Conferência davam a impressão de que se tratava de uma produção oficial da ONU.

Ainda que os secularistas acusem que os estados religiosamente orientados estão impedindo o consenso, são de facto os secularistas os que estão determinados a impor a sua visão de mundo em cada esquina do mundo.

 

A AGENDA DE GÉNERO

Redefinindo a Igualdade, Condensado da obra de Dale O’Leary “The Gender Agenda” 1997, Vital Issues Press, Lafayette, Lousiana

 

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19.Jul.19

A CONFERÊNCIA REGIONAL DE MAR DEL PLATA

 

 

A Conferência Regional e o Fórum das ONGs para a América Latina reuniram-se em Mar del Plata, na Argentina. As mulheres presentes acusaram os organizadores do Fórum das ONGs de manipular deliberadamente os preparativos para excluir a presença das participantes pró-família. O Fórum recebeu pouca publicidade. Os encontros, as localizações, os cronogramas e os temas dos workshops não foram anunciados com antecedência. Várias grandes organizações de mulheres não feministas tiveram as suas credenciais negadas. As que conseguiram estar presentes descobriram que as suas contribuições haviam sido ignoradas e, apesar das garantias em contrário, as suas declarações discordantes não haviam sido incluídas no relatório enviado ao Secretariado. Elas puderam, entretanto, ter uma chance de observar de perto as feministas de género em acção.

Durante os workshops as palestrantes insistiram que as mulheres deveriam libertar-se a si mesmas das vocações de esposa e de mãe, assim como dos conceitos tradicionais de casamento e família. Particularmente preocupantes foram os comentários sobre género da Sra. Marta Llamas (feminista radical), assim como suas afirmações segundo as quais haveria mais do que dois sexos:

“A Biologia mostra que, externamente, os seres humanos podem ser divididos em dois sexos; entretanto, há mais combinações que determinam o que é denominado de sexo biológico de uma pessoa: os genes, as hormonas, as gônadas, os órgãos reprodutivos internos e os órgãos reprodutivos externos (genitálias). Temos assim:

  1. Homens (pessoas que possuem dois testículos);
  2. Mulheres (pessoas que possuem dois ovários);
  3. Hermafroditas ou hermes (nos quais há ao mesmo tempo um testículo e um ovário);
  4. Hermafroditas masculinos ou mermes (pessoas que possuem testículos, mas apresentam outras características sexuais femininas);
  5. Hermafroditas femininos ou fermes (pessoas com ovários, mas com características sexuais masculinas)”.

 

Segundo a Sra. Marta Llamas:

 

“… homem/mulher, masculino/feminino são meras construcções culturais, e pensar que a heterossexualidade é a sexualidade “natural” seria apenas um outro “exemplo de uma construcção social ‘biologizada’”.

 

A tragédia das deformidades congénitas não prova que há mais de dois sexos, e certamente não prova que a heterossexualidade não é natural, assim como o facto de alguns bebés nascerem cegos não prova que não é natural que os homens vejam. O sexo biológico não é determinado por órgãos externos, mas pela estrutura genética. Cada célula do ser humano é clara e marcadamente masculina ou feminina. O que é um absurdo é que um número de feministas tivessem achado este argumento convincente. Mas o que Llamas queria dizer era muito claro: o masculino e o feminino são elaborados pelas pessoas; portanto, a homossexualidade é igual à heterossexualidade. A não existência de uma essência masculina ou feminina permite-nos excluir a suposta superioridade de um sexo sobre o outro e até mesmo a questão se existe uma forma “natural” de sexualidade humana.

Por outras palavras, pode-se dizer que a heterossexualidade é o resultado de um processo psíquico, ou mesmo que ela não é “natural” [Marta Llamas, citada por Cristina Delgado, em ‘Definiciones estraidas de documentados usados en Foro de Mar del Plata’, p. 2-3].

As frequentes referências da Sra. Llamas ao género e à sua definição de género como “a simbolização que cada cultura estabelece sobre a diferença sexual” conduziu os participantes pró-família a acreditar que a “incorporação da perspectiva de género” fosse um acobertamento da promoção da ideologia feminista radical e da homossexualidade. A seguinte declaração do Fórum de Mar del Plata não diminuiu em nada estas preocupações:

“O heterossexismo tenta fazer da heterossexualidade a norma e, deste modo, não apenas mantém a desigualdade entre nós mesmas mulheres e a violência contra as lésbicas, mas também ajuda a manter a desigualdade entre as mulheres e os homens, prescrevendo que toda a mulher que deseje ser normal deva estar com um homem”.

 

Infelizmente, a maior parte deste material só estava disponível em espanhol e apenas para uma audiência limitada. Mais ainda, a preocupação sobre o género foi diminuída, mesmo entre os participantes de língua espanhola, porque quando o rascunho da Plataforma de Acção foi distribuído, a versão espanhola não traduziu a palavra “gender” como “género”, o que teria sido a tradução espanhola correcta, mas sim como “sexo”.

 

A AGENDA DE GÉNERO

Redefinindo a Igualdade, Condensado da obra de Dale O’Leary “The Gender Agenda” 1997, Vital Issues Press, Lafayette, Lousiana

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19.Jul.19

A CONFERÊNCIA REGIONAL DE VIENA

Quando a coalizão [Acordo ou aliança de partidos para um fim determinado] pró-família deixou o Cairo determinada a organizar-se e a preparar-se para a Conferência sobre as Mulheres, em Pequim, já estava dois anos atrasada em relação aos seus oponentes. Duas conferências preparatórias para Pequim já tinham sido realizadas, e diversos rascunhos da plataforma já haviam sido produzidos. Os preparativos para o Fórum das ONGs incluíam a publicação de um boletim regular. O número de Setembro de 1994 informava que as ONGs de mulheres já pressionavam activamente para a inclusão de uma ‘perspectiva de género’ nos documentos da ONU. O boletim também fornecia informações sobre uma campanha internacional de pedidos, lançada pela Comissão Gay e Lésbica Internacional de Direitos Humanos “destinada a mobilizar apoio para a inclusão da orientação sexual na Plataforma”.

Em 1990 o Fundo dos Estados Unidos para as Mulheres havia criado a WEDO [Women's Environment and Development Organization] ou Organização das Mulheres para o Desenvolvimento e o Meio Ambiente. A ONG recebeu apoio imediato das Fundações MacArthur, Ford, Noyes, Turner, das agências da própria ONU e de outros governos. Dirigida pela ex-congressista norte americana Bella Abzug, a ONG deve o seu nome ao facto de ter sido criada para estrear na Conferência do Meio Ambiente de 1992 no Rio de Janeiro. A influência da WEDO, na Conferência do Rio de Janeiro, mudou o foco do encontro para a sua agenda abortiva e de empoderamento das mulheres. Desde então a WEDO tornou-se uma espécie de sombra da ONU. Bella Abzug foi repetidamente ouvida, no Cairo, afirmando que havia sido ela quem havia redigido a Plataforma de Acção da Conferência, e que Pequim seria a “sua” Conferência.

Os documentos da WEDO, que promoviam as conferências regionais em preparação à Conferência de Pequim, afirmavam que a “WEDO trabalhará para garantir o pleno acesso das mulheres das bases aos encontros preparatórios governamentais e de ONGs nacionais e regionais”. A definição da WEDO do que seria uma mulher das bases parecia limitar-se, entretanto, às mulheres que concordassem com a organização. As organizações de mulheres pró-família não foram nem informadas nem convidadas, e aquelas que realmente conseguiram descobrir as conferências encontraram inúmeros obstáculos para poderem viabilizar a sua participação.

Foram programadas conferências regionais em Viena (Áustria), Mar del Plata (Argentina), Amman (Jordânia), Dakar (Senegal) e Jakarta (Indonésia).

No encontro regional de Viena, a coordenadora da Conferência, Johanna Dohnal, condenou o surgimento de partidos políticos de extrema-direita. Segundo Dohnal, estes partidos seriam parte de uma “cultura masculino-dependente”, cuja mensagem para as mulheres seria “permaneçam nas suas casas e cuidem das vossas crianças”. A. P. Melkert, Ministra de Assuntos Sociais e Emprego da Holanda, pediu uma mudança nas imagens da masculinidade e da feminilidade. A Declaração redigida pela Conferência Regional de Viena incluía diversas referências à Agenda de Género, em especial as seguintes secções:

Sec. 2 (c): A parceria entre as mulheres e os homens é o fundamento de um novo contrato de género baseado na igualdade, que implicará uma redistribuição dos cuidados domésticos e familiares, quebrando os estereótipos existentes dos papéis das mulheres e dos homens.

(d) Um novo contrato de género envolve uma política activa e visível de incorporação em todas as áreas políticas, económicas e sociais relevantes nos níveis centrais, regionais e locais.

 

A AGENDA DE GÉNERO

Redefinindo a Igualdade, Condensado da obra de Dale O’Leary “The Gender Agenda” 1997, Vital Issues Press, Lafayette, Lousiana

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